"Tenho cancro. E agora?" A maioria dos doentes oncológicos já fez esta pergunta. Surgindo sem avisar, o cancro provoca sempre uma "avalanche de emoções".
A falta de apoio psicológico na área oncológica uniu Manuela Matias e Lígia Veiga, duas doentes oncológicas a quem foi diagnosticado cancro da mama e linfoma, respectivamente. Juntaram-se e criaram o ‘Movimento Partilha’, uma valência do Projecto Luz – Associação Portuguesa de Apoio a Doentes Oncológicos. "O tratamento do cancro em Portugal é muito sofisticado. Mas na maioria dos hospitais não há grupos de apoio, psicólogos ou psiquiatras para acompanhar os doentes", lamentam. Sob o lema "juntos acreditamos porque sozinho é mais difícil", este movimento pretende ser uma "plataforma de encontro" entre uma pessoa em remissão – que está com a doença controlada (padrinho) – e outra que esteja a viver a doença (afilhado). "Não queremos substituir o apoio dos especialistas, mas partilhar pequenas orientações para esclarecer dú-vidas e angústias", dizem.
Ajuda gratuita, sem imposições horárias ou barreiras geográficas são as vantagens deste movimento. Com dois meses de vida, a iniciativa conta já com cinco afilhados e dez padrinhos.
"O PAÍS TEM BONS MÉDICOS": Jorge Espírito Santo, Pres. do Colégio de Especialidade de Oncologia Médica
Correio da Manhã – Anualmente, surgem 43 mil novos casos de cancro. O número vai aumentar?
Jorge E. Santo – Sim, vai aumentar muito. O envelhecimento da população e a adopção de estilos de vida pouco saudáveis justificam esta subida. Factores ambientais também são responsáveis por este aumento.
– Quais os obstáculos ao tratamento do cancro em Portugal?
– O País dispõe de equipamentos modernos e profissionais de qualidade. Porém, não são em número suficiente. Outro problema é a falta de diálogo entre médicos e instituições. As práticas não são partilhadas.
– Como dá um profissional uma notícia de cancro ao paciente?
– A maioria dos profissionais não teve formação em técnicas de transmissão de más notícias, vão aprendendo com a prática. Faz-se sempre uma abordagem informal, correcta e responsável, transmitindo sempre uma mensagem de esperança aos doentes. As técnicas estão muito desenvolvidas.
CENTRO CHMAPALIMAUD VAI TRATAR 300 DOENTES ONCOLÓGICOS POR DIA
O Centro de Investigação da Fundação Champalimaud, em Lisboa, representa uma nova esperança para milhões de pessoas a nível mundial. Com um investimento inicial de cem milhões de euros, esta infra-estrutura visa transformar-se num núcleo de investigação por excelência na área do cancro. O projecto inicial vai centrar-se nos cancros da pele, pulmão, digestivo, reprodutivo, urológico e da mama. Dar oportunidade aos doentes, portugueses ou estrangeiros, e aceder às últimas técnicas de tratamento na área oncológica são os objectivos do Centro, que terá capacidade para atender diariamente 300 doentes oncológicos. As primeiras consultas e tratamentos estão previstos para Abril de 2011. Para 2015, está prevista a construção de uma unidade de internamento ao lado do Centro. Localizado na zona ribeirinha de Pedrouços, junto à Torre de Belém, este projecto tem capacidade para empregar cerca de 700 profissionais, muitos deles investigadores estrangeiros.
"ACORDAVA E PENSAVA QUE O DIA IA SER BOM"
Aos 24 anos, Joana de Sousa Cardoso sentiu um pequeno caroço no peito. Devido à idade, o médico que consultou em Lisboa disse que não era nada. Entretanto, como o nódulo continuou a crescer, Joana consultou um especialista em Coimbra. Em Abril de 2008, após uma série de exames, o diagnóstico foi conhecido: cancro da mama. Joana tinha 26 anos na altura e uma dura luta pela frente. "No início, não acreditei, mas depois uma pessoa vai-se habituando. Actualmente, quando sinto alguma dor, mesmo pequena, vou logo ao médico", confidencia a arquitecta. Os dois anos entre o aparecimento do caroço e o diagnóstico agravaram o quadro clínico, e o que poderia ser simples ficou mais complicado.
Doze sessões de quimioterapia, radioterapia, uma tumorectomia (cirurgia que remove apenas o tumor) e uma mastectomia do lado direito salvaram Joana, que sempre confiou na recuperação. "Vi o problema com uma meta, uma contagem decrescente. Procurei pessoas que me faziam rir e via comédias. Sempre que acordava mentalizava-me que o dia ia ser bom. Mas nem sempre foi fácil" recorda.
O cancro está estabilizado. Joana é vigiada e, até 2014, tem de fazer tratamento hormonal. Hoje, Joana relativiza os problemas, a doença foi uma lição de vida.
PERFIL
Joana de sousa cardoso Tem 28 anos e é arquitecta. Aos 26 anos, foi-lhe diagnosticado um cancro na mama. É casada com o músico Mico da Câmara Pereira, de quem tem um filho, Afonso.
TRATAMENTO SUBFINANCIADO
Os gastos directos com o tratamento do cancro em Portugal superam os 565 milhões de euros, 3,91% dos custos totais na Saúde. Já os gastos com as doenças cardiovasculares ascendem aos 1320 milhões de euros. Os dados são de um estudo divulgado em 2009 por uma equipa de 10 médicos e economistas, baseado em dados de 2006. A investigação conclui que o tratamento da segunda causa de morte em Portugal está subfinanciado, o que deixa o País ao nível dos Estados do Leste e muito abaixo de outros países europeus.
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