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Correio da Manhã

Sociedade
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Pacientes recuperam audição através de um implante no ouvido

Doença de Ménière causa surdez e crises de vertigem que podem durar 30 minutos.
Daniela Polónia 17 de Dezembro de 2016 às 13:28
Doente  em observação
Doente em observação FOTO: Inês Lourenço
O implante coclear é um grande avanço para as pessoas que ficam surdas na sequência da doença de Ménière. Consigo meter um implante no interior do ouvido e a pessoa volta a ouvir", explica João Paço, diretor clínico do Hospital CUF Infante Santo, em Lisboa. O implante coclear é um dispositivo eletrónico colocado através de uma cirurgia, que estimula o nervo auditivo do paciente.

A doença de Ménière provoca surtos de vertigem que podem durar entre vinte a trinta minutos e, ao mesmo tempo, há perda auditiva. "Nos primeiros episódios, o doente recupera da audição. No entanto, ao fim de um ou dois anos já não recupera e a longo prazo acaba por ficar surdo", refere o médico otorrinolaringologista.

João Paço acrescenta que, durante as crises, "o doente fica branco, suado, enjoado e vomita. No fim, está estoirado, sem vontade de fazer nada". Estes surtos são antecedidos por um zumbido forte no ouvido, que começa no dia anterior, e ainda por uma sensação de ouvido cheio.

O ouvido interno contém um líquido - endolinfa - que ao inchar comprime os órgãos da audição e do equilíbrio, provocando as vertigens e a perda de audição. "A doença de Ménière é uma das mais misteriosas e interessantes. Até hoje não se sabe o que é a causa do aumento do volume da endolinfa", afirma o médico João Paço.

A gentamicina é um antibiótico que é introduzido dentro do ouvido, através de uma injeção. O remédio diminui a produção de endolinfa e, desta forma, as crises de vertigem baixam ou acabam. No entanto, este antibiótico pode provocar perda de audição e, por isso, só deve ser administrado quando o doente já tiver um elevado grau de surdez.

"Outras cirurgias do Ménière, como a labirintectomia ou a neurectomia , só estão ao alcande de alguns cirurgiões ontológicos. A gentamicina veio democratizar a cirurgia do ouvido, sendo feita em trinta ou quarenta sítios diferentes, visto que é mais fácil", refere o otorrinolaringologista.

É depois destes tratamentos ou do momento em que a doença dá surdez total que é colocado o implante coclear. "A meio caminho entre a perda parcial e total de audição poso colocar uma prótese auditiva, um aparelho. Quando já não há nervo auditivo funcional, ponho o implante", diz João Paço.
João Paço saúde Doença de Ménière audição
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