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‘Padre em cuecas’ deixa a Igreja Católica e celebra missas noutra religião

Júlio Santos, suspenso pela diocese, vai celebrar missas na Igreja Vetero Católica.
José Durão 15 de Agosto de 2019 às 01:30
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Júlio Santos, suspenso pela diocese, vai celebrar missas na Igreja Vetero Católica.
O padre Júlio Santos, envolto em controvérsia desde que publicou uma fotografia sua vestido apenas com cuecas e meias numa rede social, vai hoje assumir, em Castanheira de Pera, um novo cargo na Igreja Vetero Católica Fidelitas.

Suspenso por tempo indeterminado de funções na paróquia de Pedrógão Grande, escreveu no seu perfil no Facebook que não põe em causa "as Leis do Direito Canónico", mas não consegue "viver sem Eucaristia nem família".

Júlio Santos tinha sido afastado pela Diocese de Coimbra em junho após a publicação da fotografia, que esteve disponível algumas horas na internet. Dias depois, o bispo de Coimbra reuniu-se com o sacerdote e decidiu afastá-lo das responsabilidades sacerdotais.

Júlio Santos desvalorizou o caso e afirmou que a publicação foi "um descuido" e declarou não se sentir "minimamente abalado" com a decisão, afirmando que "o padre, como primeiro cristão, deve procurar no testemunho aceitar a vontade de Deus"
.
Na sequência do afastamento, Júlio Santos acusou a Diocese de Coimbra de "deslealdade" e garantiu que não mais voltaria a servi-la enquanto pároco.

A 20 de junho, Júlio Santos explicou ao Correio da Manhã que a fotografia foi tirada num quarto de hotel do Porto, durante um encontro casual com uma "menina jeitosa".

"As pessoas querem saber quem tirou a fotografia, pois bem, eu vou dizer: foi uma loirinha com quem dei uma rapidinha", contou o padre Júlio Santos. O sacerdote afirmou ter mantido relações sexuais com a mulher. "Sou maroto, sou danado para a brincadeira e mesmo que tente mudar isso, não consigo.

Eu nunca me apresentei às pessoas como santo", acrescentou. A 26 de junho abandonou a casa paroquial de Pedrógão Grande, onde residia com a mãe. O CM tentou contactar Júlio Santos, que não quis prestar esclarecimentos.

Diocese classificou foto como "indecorosa e escandalosa"
A fotografia publicada por Júlio Santos nas redes sociais levou a fábrica da Igreja a reunir de forma informal e enviar uma exposição do caso à Diocese de Coimbra a pedir o afastamento do pároco, o que se viria a verificar. D. Virgílio Antunes, bispo da Diocese de Coimbra, classificou a imagem como "indecorosa e naturalmente causadora de escândalo" e considerou que não estavam reunidas as condições para que o padre continuasse a exercer o ministério em Pedrógão Grande.

Populares divididos sobre polémica na paróquia
Quando a polémica surgiu, os moradores de Pedrógão Grande mostravam-se divididos sobre o caso. "Já devia ter sido afastado", afirmou Argina Nascimento. Já Helena Serra dizia-se "chocada e triste". Roberto Martins defendeu que "não havia razão para tanto" e João Viola disse que "aquele que nunca pecou, que atire a primeira pedra". Júlio Santos estava na paróquia desde 2005.

SAIBA MAIS
1872
foi o ano da fundação da Igreja Vetero Católica, por dissidentes suíços, alemães e austríacos do Concílio Vaticano I que discordavam do dogma da infalibilidade papal. Em 1932, o culto foi instalado em Curitiba, no Brasil.

Corrente tradicional
A Igreja Vetero Católica, ou Velha Igreja Católica, como também é conhecida, mantém dogmas similares à Igreja Romana, mas com diferenças significativas, para além da recusa da autoridade papal, como a liberdade de escolha para os padres entre o celibato e o casamento.
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