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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Parlamento aprova programa para dar respostas às pessoas internadas com alta clínica

Texto final da Comissão de Trabalho, Segurança Social e Inclusão cria o programa "Voltar a Casa", na sequência de um projeto de lei apresentado pelo grupo parlamentar do PS.

19 de junho de 2026 às 16:19

O Parlamento aprovou esta sexta-feira um novo programa para dar resposta às pessoas que continuam internadas nos hospitais após receberem alta clínica e que prevê a criação de residências para o acolhimento transitório até dois anos.

O texto final da Comissão de Trabalho, Segurança Social e Inclusão que cria o programa "Voltar a Casa", na sequência de um projeto de lei apresentado pelo grupo parlamentar do PS, obteve os votos contra do PSD e CDS-PP (que suportam o Governo) e da IL, e a favor das restantes bancadas.

No início do mês, o diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde adiantou, no parlamento, que o número de pessoas com altas proteladas -- todos os casos que, do ponto de vista clínico, já podiam ter saído do hospital - ascendia a 3.536 no final de maio.

Segundo Álvaro Almeida, desse total, 1.339 pessoas mantinham-se nos hospitais por falta de resposta social ou familiar, 1.358 estavam à espera de serem admitidas na rede nacional de cuidados continuados integrados e 513 utentes aguardavam uma resolução ao abrigo do regime jurídico de maior acompanhado.

Para justificar a sua iniciativa legislativa, a bancada do PS alegou a necessidade de dar resposta a um problema que tem vindo a agravar-se nos últimos dois anos, durante a governação da AD, com a ministra da Segurança Social, Rosário Palma Ramalho, a classificar a proposta socialista como "atrasada e redundante", além de "criar mais confusões e entropias no sistema" que está em vigor.

Uma das medidas previstas no diploma esta sexta-feira aprovado, e que já constava do projeto de lei do PS, é a criação de uma nova resposta social, as residências de transição para acolher até 10 pessoas que tenham alta clínica e que necessitem de uma solução temporária, que pode ir até dois anos.

O programa "Voltar a Casa" prevê ainda a prestação de cuidados de saúde e apoio social em equipamentos sociais, apoio domiciliário ou respostas de transição, em função das necessidades concretas de cada caso, privilegiando soluções domiciliárias e de proximidade sempre que adequadas.

Com as medidas previstas, o diploma pretende reduzir os reinternamentos evitáveis e as situações de institucionalização desnecessárias, promover soluções de proximidade e permanência no meio habitual de vida, assim como a autonomia, bem-estar, recuperação funcional e qualidade de vida dos utentes.

Entre as modalidades previstas no programa consta também a resposta em equipamentos sociais residenciais, através de uma Bolsa de Reserva de Vagas contratualizadas entre a Segurança Social e as entidades do setor social, no âmbito do Compromisso de Cooperação para o Setor Social e Solidário.

Ficou determinado que o Governo crie um apoio financeiro para a adaptação de espaços e aquisição de equipamentos, com o objetivo de promover maior oferta de vagas na rede de estruturas residenciais para pessoas idosas e nas novas residências de transição.

Quando foi ouvido em comissão, Álvaro Almeida adiantou que, desde o início do ano, já foram colocas 422 pessoas, ao abrigo de uma portaria de 2023 que prevê respostas sociais para estes casos, o que representa um aumento de 27% em relação ao mesmo período de 2025.

No início deste ano, o Governo anunciou 400 vagas de internamento social em novas unidades intermédias, contratualizadas com entidades do setor social e solidário, que começaram a ser ocupadas desde maio.

O diploma esta sexta-feira aprovado entra em vigor com o Orçamento do Estado para o próximo ano.

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