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Paulo Macedo afirma que seria disparate afirmar que problema da Habitação vai estar resolvido em 2026

Caixa Geral de Depósitos lembra que existe um duplo problema na habitação, uma vez que são necessárias casas para os jovens, mas também para os imigrantes.

17 de fevereiro de 2025 às 12:58

O presidente da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos (CGD) considerou esta segunda-feira, em Lisboa, que seria um disparate afirmar que o problema da Habitação estaria resolvido no próximo ano.

"Não precisamos de habitação daqui a cinco ou sete anos, precisamos para agora. Mas não vale a pena dizer que a habitação vai estar resolvida para o ano. Seria um disparate", afirmou Paulo Macedo, na conferência "Portugal 2030: Futuro Estratégico para o Setor da Construção", organizada pela AICCOPN - Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas.

A CGD lembrou que existe um duplo problema na habitação, uma vez que são necessárias casas para os jovens, mas também para os imigrantes, numa altura em que a oferta é pequena e a procura aumenta.

Paulo Macedo indicou que em alguns concelhos, como Sintra, os imigrantes representam 25% da população.

"Ou essas pessoas têm uma vida condigna ou haverá aqui um problema mais sério", avisou.

Para Paulo Macedo esta pressão não vai desanuviar tão depressa e a reconversão de projetos de escritórios ou zonas comerciais em habitação pode ser uma solução mais ágil, neste momento.

Já no que se refere ao financiamento residencial, o presidente da Comissão Executiva da CGD disse que não tem faltado, precisando que, no ano passado, o banco somou cerca de 4.100 milhões de euros em financiamento à habitação.

No que diz respeito ao financiamento à construção no setor privado, verificou-se uma redução a seguir à crise financeira e depois uma recuperação.

Em matéria de grandes infraestruturas, a CGD mostrou-se disponível para o financiamento, assegurando que tem dos maiores fundos próprios.

Ainda assim, ressalvou que são necessários projetos atrativos e equilibrados.

"Há vontade de financiar não só na Caixa, mas também noutros bancos. Achamos que esta vontade se está a materializar", rematou.

Na mesma sessão, o presidente executivo da Mota-Engil -- Engenharia e Construção, Carlos Mota Santos, defendeu que a construção tem falta de mão-de-obra, mas também de previsibilidade, sublinhando uma maior abertura do Governo para falar sobre imigração com este setor.

Carlos Mota Santos lembrou que uma parte das empresas do setor desapareceu com a crise financeira. Por outro lado, à data, as empresas não tinham planeado e executado o seu plano de internacionalização e viviam numa altura de "fortíssimo investimento em infraestruturas em Portugal".

Com isto, verificou-se uma fuga de recursos humanos e o "advento das 'low-cost'" ajudou, assinalando que é mais fácil ir e vir para a Europa do que para parte do Alentejo.

Acresce um desinvestimento na formação e um 'gap geracional'.

Para a Mota-Engil, são necessários planos de curto, médio e longo prazo para resolver estas questões.

A curto prazo, conforme apontou, a solução deverá passar pela imigração, "com critério e qualidade", assinalando a abertura do Governo para discutir estas matérias com o setor.

O presidente executivo da Mota-Engil referiu que muitas empresas têm capacidade de recrutamento para responder às lacunas do mercado nacional, garantindo, no caso desta construtora, o posto de trabalho, habitação e, quando necessário, a viagem de repatriamento.

Já a médio e longo prazo é necessário olhar para a natalidade e para a formação, "retomando o conceito de escolas profissionais".

Por último, a Mota-Engil acredita ser importante que o setor ganhe dimensão e aproveite a onda de investimento público que vai acontecer nos próximos anos.

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