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Pedida classificação da estação ferroviária no Porto onde El Corte Inglés quer construir

Solicitação foi feita à Direção-Geral do Património Cultural.

09 de janeiro de 2020 às 15:46

Um grupo de cidadãos entregou esta quinta-feira à Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) um pedido de classificação da antiga estação ferroviária da Boavista, no Porto, onde o El Corte Inglés tem intenção de construir.

No pedido, que já seguiu por email e carta, os cerca de 60 subscritores de uma carta aberta que alerta para a importância de preservação daquele património, pedem a sua classificação como Imóvel de Interesse Público (MIP), admitindo, contudo, outras classificações, desde que permitam a preservação daquele local.

"Esperamos que o pedido que entregamos seja aceite e que a estação seja classificada como património de interesse nacional. Seria melhor ser de interesse nacional, no entanto, se a DGPC não entender assim, e preferir que seja a câmara a tomar esse processo, também não recusamos essa possibilidade", afirmou, em declarações à Lusa, o primeiro subscritor.

Para Hugo Silveira Pereira, Investigador do Centro Interuniversitário de História das Ciências e da Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, estão reunidas todas as condições para que a antiga estação ferroviária da Boavista, local onde o El Corte Inglés tem intenção de construir, possa ser classificada, garantindo a preservação daquele património ferroviário.

De acordo com o investigador, do que é conhecimento público, através das imagens de satélite fornecidas pela aplicação Google Maps, a parte exterior da estação "parece estar bem conservada", podendo assim dar-lhe um novo uso.

Nos terrenos envolventes à estação, acrescentou, é ainda possível ver "que parece existir uma rotunda de Locomotivas - um instrumento que se usava para virar a locomotiva no sentido contrário", bem como, "resquícios das linhas" da gare de passageiros, explicou.

"Entendemos que é necessário manter viva a identidade ferroviária daquela zona. Foi uma estação que serviu o Porto durante mais de 100 anos, foi uma das primeiras a servir o Porto, ela foi inaugurada cinco meses depois de Campanhã e, portanto, é uma parte importantíssima não só da história ferroviária, mas também da história do Porto", sublinhou o investigador natural de Gaia.

Numa carta aberta, 62 personalidades ligadas à academia e ao património ferroviário alertam para a importância da preservação da antiga estação ferroviária da Boavista, em risco se o projeto do El Corte Inglés para aquele local avançar.

"O projeto imobiliário previsto para aqueles terrenos ameaça a preservação daquele elemento do património ferroviário nacional, que malgrado algumas iniciativas meritórias, tem sido, década após década, muito maltratado", lê-se na missiva.

Adicionalmente, defendem os signatários, "o projeto imobiliário em causa prevê a construção de infraestruturas desnecessárias para o contexto urbano local, designadamente um centro comercial e um hotel, quando, num raio de apenas um quilómetro desde a rotunda da Boavista, existem pelo menos cinco centros comerciais ativos e diversas unidades hoteleiras".

Nesse sentido, os subscritores apelam ao Ministério das Infraestruturas e Habitação, à Infraestruturas de Portugal (IP) e à Câmara do Porto que, em cooperação com a DGPC e a Metro do Porto, envidem todos os esforços para "impedir a concretização do projeto imobiliário do El Corte Inglés, fazendo reverter o domínio e usufruto dos terrenos para a esfera pública.

Na carta aberta, os signatários defendem também a implementação naquele local de "uma solução urbanística que inclua a preservação dos elementos ferroviários ali presentes, com entrada pela antiga estação da Boavista, que assim manteria a sua função original de acolhimento e ponto de passagem de cidadãos, outrora passageiros do caminho de ferro, presentemente usufrutuários de um espaço público".

Para os terrenos da antiga estação ferroviária da Boavista, está prevista para além de um grande armazém comercial, a instalação de um hotel e de um edifício de habitação comércio e serviços, adiantava o Público em novembro,

Até ao momento, a cadeia espanhola pagou à IP, proprietária do terreno, quase 18,7 milhões de euros.

Em dezembro, o mesmo jornal, avançava que o Pedido de Informação Prévia (PIP) entregue na Câmara do Porto pelo El Corte Inglés foi "travado" pela Metro do Porto que, numa carta enviada ao município, recusou-se a dar parecer favorável à pretensão do grupo espanhol enquanto não terminarem as negociações para a compatibilização dos projetos do grupo comercial para o terreno da antiga Refer na rotunda da Boavista e o troço final da futura linha Rosa do metropolitano.

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