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Correio da Manhã

Sociedade
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“Pediram-me vagas para estrangeiros”, revela ministro sobre curso de Medicina

Manuel Heitor abre ‘guerra’ com universidades.
Bernardo Esteves 18 de Junho de 2020 às 08:40
Ministro Manuel Heitor no Teatro Thalia, nos 25 anos da criação do MCTES
Ministro Manuel Heitor no Teatro Thalia, nos 25 anos da criação do MCTES FOTO: João Cortesão
O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, ficou surpreendido com a recusa das universidades em abrir mais vagas em Medicina. "Muitos diretores de faculdades vieram pedir-me para aumentar o número de vagas para estudantes estrangeiros, e portanto acho muito estranho que agora venham dizer isso. Antes que se aumentem vagas para estudantes estrangeiros é natural abrir mais vagas para estudantes portugueses", afirmou à Antena 1, deixando entender que as universidades preferem captar propinas mais caras dos alunos internacionais, mas recusam mais vagas aos portugueses.

No ano passado houve 1441 vagas. O despacho de vagas para o próximo ano letivo autoriza um aumento de 215 em Medicina, mas as faculdades já garantiram que não haverá aumento. Consideram que a capacidade formativa está esgotada e que um aumento de estudantes vai reduzir a qualidade da formação. Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, defendeu a mesma ideia e frisou que não há falta de médicos. Segundo o bastonário, há 55 mil médicos inscritos na Ordem, mas só 29 mil estão no Serviço Nacional de Saúde. O Conselho de Escolas Médicas Portuguesas também contestou o aumento e diz que o ministro "está a ser pressionado pelos lóbis privados que querem mão de obra barata".

Ao CM, o ministro desvalorizou a polémica. "Cabe-me a mim definir as regras. Mas estas não são de imposição. São de possibilidade. Quem fixa as vagas são as instituições."
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