Barra Cofina

Correio da Manhã

Sociedade
8

Penhora deixa bombeiros de Macedo de Cavaleiros "sem um tostão"

Os bombeiros de Macedo de Cavaleiros, no distrito de Bragança, estão "sem um tostão", consequência de uma penhora de um fornecedor, um acontecimento que ameaça o auxílio às populações, segundo disse esta quinta-feira o presidente da direcção.
5 de Janeiro de 2012 às 16:57
Doentes não urgentes podem ficar sem transporte
Doentes não urgentes podem ficar sem transporte FOTO: Eugénia Pires

José Carlos Dias afirmou à agência Lusa que, "neste momento, não há dinheiro para combustível, nem para pagar os salários de Janeiro aos 21 funcionários", o que "pode deixar as pessoas sem protecção aos bens e os doentes não urgentes sem transporte".

O presidente da direcção espera conseguir uma solução até sexta-feira à noite, data em que está marcada a última de uma série de reuniões com bombeiros e outras entidades, nomeadamente a câmara municipal de Macedo de Cavaleiros.

O dirigente já lançou também um apelo à população para minimizar as consequências do que classificou de "má vontade" da empresa fornecedora do combustível que intentou a acção em tribunal e que resultou na penhora de todas as contas bancárias e do antigo quartel, onde ainda funcionam alguns serviços.

Em causa está, segundo explicou José Carlos Dias, uma dívida "entre 26 a 30 mil euros" que esta direcção, em funções há menos de um ano, herdou e que tem vindo a liquidar.

O montante em causa corresponde, de acordo com o dirigente, a menos de metade dos seis meses em dívida inicialmente e que têm sido amortizados conforme as disponibilidades.

A actual direcção da associação humanitária dos bombeiros de Macedo de Cavaleiros garantiu que as dívidas existentes no valor global de 200 mil euros são anteriores à sua tomada de posse e relativas a obras do novo quartel e a combustível.

"Houve uma empresa que não aguentou a situação e intentou um processo judicial contra os bombeiros que acabou na penhora do quartel velho e nas contas bancárias", explicou.

Os bombeiros até tinham tido disponibilidade financeira, já que receberem há pouco tempo o dinheiro da época de incêndios destinado a refeições, combustível, manutenção das viaturas, desgaste do material, naquele período.

A penhora cativou, no entanto todas as verbas. "Não temos um tostão", sublinhou.

Enquanto o tribunal não faz o acerto de contas e se sabe se sobrará algum dinheiro da execução, a direcção lamenta, mas "não há dinheiro para nada e está em risco a segurança dos bens e das pessoas".

Em risco fica também os vencimentos dos bombeiros do quadro de pessoal, com os quais o presidente da direcção se compromete a encontrar uma alternativa, "pelo menos, para assegurar parte dos salários às 21 famílias" dependentes dos mesmos.

Se até sexta-feira à noite não surgir uma solução para o problema financeiro, o primeiro serviço a ser suspenso, de acordo com José Carlos Dais, será o transporte de doentes não urgentes.

"Ficam as populações sem protecção aos bens, ficam os doentes não urgentes sem que possam ser transportados e tudo isso por causa de uma má vontade de uma empresa fornecedora", reiterou.  

bombeiros penhora macedo de cavaleiros auxílio doentes
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)