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Plataforma ajuda a decidir sobre rastreios oncológicos

Projeto da NOVA Medical School será testado num unidade cuidados de saúde primários da ULS Lisboa Ocidental. Objetivo é informar os utentes sobre os benefícios, riscos e limitações dos rastreios.

16 de outubro de 2026 às 10:01

Uma plataforma digital destinada a apoiar decisões informadas sobre rastreios oncológicos vai ser aplicada em contexto clínico nos próximos dois anos. O projeto DECIDE-SCREEN, da NOVA Medical School, "pretende disponibilizar aos utentes informação sobre benefícios, riscos e limitações dos rastreios para poderem decidir melhor em conjunto com os profissionais de saúde", refere a instituição, em comunicado.

A plataforma será testada numa unidade de cuidados de saúde primários da ULS Lisboa Ocidental e irá identificar automaticamente as pessoas elegíveis para determinados rastreios oncológicos, enviando por SMS ou correio eletrónico ferramentas de apoio à decisão "baseadas na melhor evidência científica disponível". O objetivo, refere a NOVA Medical School, "é permitir que cada pessoa conheça antecipadamente as diferentes opções, pense sobre elas ao seu ritmo e chegue mais preparada ao momento da decisão, em vez de concentrar toda a informação na duração de uma consulta".

Numa primeira fase, a plataforma vai focar-se em duas ferramentas dedicadas a ajudar a decisão do doente: uma para o rastreio do colo do útero e outra para o rastreio do cancro colorretal. “Decidir sobre um rastreio oncológico não é apenas decidir se fazemos ou não um exame. É compreender o que podemos ganhar com o rastreio, conhecer as limitações e os possíveis riscos. Outras vezes é escolher entre diferentes estratégias quando existe mais do que uma opção clinicamente adequada. Queremos que essa informação chegue às pessoas antes da consulta, para que possam refletir e participar de forma mais informada nas decisões sobre a sua saúde, de acordo com os seus valores e preferências”, explica Bruno Heleno, médico de família e professor e investigador da NOVA Medical School, citado em comunicado.

A plataforma vai permitir também compreender se a disseminação digital chega de forma igual aos diferentes grupos da população. “O DECIDE-SCREEN é um exemplo de como podemos aproximar investigação, tecnologia e cuidados de saúde para transformar evidência científica em soluções concretas e com potencial de utilização no mundo real”, refere Federico Guede, investigador do VOH.CoLAB e coordenador do projeto.  O "DECIDE-SCREEN- Auxiliares digitais para apoiar decisões informadas sobre rastreios oncológicos nos cuidados de saúde primários: um estudo-piloto" é coordenado pelo laboratório colaborativo Value for Health (VOH.CoLAB), em parceria com a NOVA Medical School e a Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental (ULSLO). Foi uma das iniciativas selecionadas para financiamento no âmbito da la Caixa Foundation Health Research Call 2026.

O desenvolvimento da plataforma dá continuidade ao trabalho de investigação realizado em 2023 por Bruno Heleno e Mafalda Proença-Portugal, investigadores da NOVA Medical School, em colaboração com a Escola Nacional de Saúde da Universidade NOVA de Lisboa e a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. O estudo "Perceções dos médicos de clínica geral sobre ferramentas de apoio à decisão em cuidados de saúde: um estudo qualitativo em Portugal" revelou um conhecimento limitado destas ferramentas entre a maioria dos médicos entrevistados, que frequentemente as confundem com sistemas de apoio à decisão clínica, como as calculadoras de risco. Mais de 90% dos participantes reconheceram não ter formação em decisão partilhada nem utilizar regularmente estas ferramentas. Ainda assim, todos manifestaram uma atitude favorável à sua adoção. Entre os principais obstáculos identificados estão a falta de tempo nas consultas, a escassez de financiamento e a ausência de versões adaptadas à realidade portuguesa.  “Nas consultas, nem sempre há tempo para explicar todas as opções, esclarecer dúvidas e compreender as preferências de cada utente. Uma ferramenta que permita preparar essa conversa pode contribuir para decisões mais esclarecidas e partilhadas. O teste em contexto clínico será fundamental para perceber como integrar esta abordagem nos cuidados de saúde primários”, explica Ana Rita Maria, médica de família da ULS de Lisboa Ocidental.

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