Objetivo é reforçar a capacidade de acolhimento junto da sociedade civil porque a que existe atualmente já não é suficiente para receber toda as pessoas.
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A Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) precisa de mais instituições disponíveis para receber pessoas refugiadas, e fazer face ao número crescente que chega a Portugal, ambicionando passar das atuais cerca de 70 para perto de 100.
Em entrevista à agência Lusa, o presidente da PAR adiantou que o organismo criou uma campanha de sensibilização e de angariação de novas instituições de acolhimento com o lema '#fazemosPARte'.
O objetivo, explicou André Costa Jorge, é reforçar a capacidade de acolhimento junto da sociedade civil porque a que existe atualmente já não é suficiente para receber toda as pessoas, tendo em conta que a PAR pretende acolher 340 dos 1.010 refugiados que Portugal vai receber até outubro.
"É momento de reforçar a capacidade de acolhimento que as instituições em Portugal tão bem souberam fazer", adiantou, apelando para que as instituições "onde quer que se encontrem, se possam juntar à plataforma e reforçar a capacidade de acolhimento para os próximos anos".
De acordo com o responsável, continua a haver necessidade de acolher famílias, e sobretudo crianças refugiadas, em Portugal.
A campanha de sensibilização passa pela inclusão do '#fazemosPARte' em toda a comunicação da PAR, mas também por ter figuras públicas de vários quadrantes que, nas suas redes sociais, vão falar do tema dos refugiados, com o objetivo de voltar a chamar a atenção da opinião pública para o drama destas pessoas.
Paralelamente, a PAR está também a contactar diretamente com instituições num trabalho mais direto de influência e de apelo para a causa.
André Costa Jorge revelou que, atualmente, há cerca de 70 instituições disponíveis para acolhimento e que a PAR gostaria de angariar mais 30, de modo a ter perto de cem.
"É um número ambicioso porque sabemos que [a questão dos refugiados] não está na ordem do dia e não há a mesma mobilização social, mas parece-nos que a experiência adquirida ao longo dos anos permite-nos ter esta ambição", defendeu.
O responsável salientou que as instituições têm um papel fundamental, não só porque estão muito bem enraizadas nos seus territórios, mas porque são capazes de mobilizar recursos locais, voluntários ou encontrar respostas que facilitem a vida dos refugiados em termos de processo de integração social.
Por outro lado, defendeu que vale a pena continuar o trabalho de acolhimento de refugiados, lembrando não só as mais de 20 crianças que já nasceram em Portugal, mas também todas as famílias que foram acolhidas e que "na sua maioria gostam do que Portugal tem para lhes oferecer em termos de futuro".
Sublinhou que a campanha '#fazemosPARte' significa que as instituições estão lado a lado com as famílias que são acolhidas para que o seu recomeço de vida aconteça e "os projetos de vida possam acontecer no mais curto espaço de tempo".
André Costa Jorge explicou que a primeira fase de acolhimento -- quando as pessoas chegam -- é a mais impactante e implica uma série de apoios que são atribuídos a cada família.
Por um lado, cada membro da família tem direito a uma verba financeira, mas depois é às instituições que cabe a responsabilidade de lhes assegurar habitação, ensino da língua, apoio na procura de emprego ou na articulação com os serviços públicos, como a segurança social ou o serviço de estrangeiros e fronteiras (SEF).
O presidente da PAR admite que o drama dos refugiados já não está tanto na ordem do dia e, por isso, lembra aquele que foi o lema da organização aquando do seu arranque, uma frase da poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen: "Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar".
"Não podemos ignorar e por isso demos o mote de fazermos parte a esta campanha porque fazemos parte da solução e não podemos ignorar", rematou.
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