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Correio da Manhã

Sociedade
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Poliomielite pode paralisar membros inferiores

Transmissão por contacto social. Doença não é curável.
Francisca Genésio 25 de Novembro de 2017 às 10:17
Vacina contra a poliomielite foi a primeira a integrar o Programa Nacional de Vacinação. A taxa de cobertura é de 97% FOTO: Getty Images
Há 31 anos que não existe um novo caso de poliomielite em Portugal, a doença que afetou cerca de três mil pessoas e causou a morte de 345, das quais 149 eram crianças com menos de dois anos, entre 1954 e 1965.

A pólio, também conhecida como paralisia infantil (ocorre com maior frequência em crianças) "é uma doença causada por um vírus que vive no intestino - poliovírus - que afeta as vias aéreas superiores e em alguns casos passa para o sangue e mesmo para o sistema nervoso, onde destrói as células motoras e causa paralisia flácida nos músculos", explica Helena Alves, médica e presidente da direção do Colégio de Especialidade de Imunohemoterapia da Ordem dos Médicos.

Existem dois tipos da doença: a pólio paralítica e a não paralítica. Apenas 1% dos diagnósticos em Portugal dizem respeito à paralítica. Os sintomas, na não paralítica, aparecem sob a forma de febre, dores de cabeça e no corpo, vómitos, diarreia, prisão de ventre, espasmos, rigidez na nuca e até meningite.

O vírus é "facilmente transmissível através do contacto social", revela a médica. A poliomielite não é curável e não existem tratamentos específicos. "O facto de não haver casos de pólio em Portugal deve-se ao investimento na prevenção, através da vacina", afirma Helena Alves.

Diagnóstico feito aos seis meses 
João Paulo Azevedo, de 52 anos, foi diagnosticado com poliomielite aos seis meses de idade. "Dizem os meus pais que um dia acordei com a perna totalmente torcida. Levaram-me ao médico e foi feito o diagnóstico. Na altura a vacina ainda estava a ser testada", contou. Durante 12 anos andou com um "aparelho" que lhe endireitou a perna. "Tive restrições na escola, por exemplo na ginástica, e naturalmente quando se exige um maior esforço físico", lembra. "Este problema obriga-me a usar sapatos ortopédicos para compensar a altura que me falta na perna", conta o consultor de comunicação.

"Esperamos vacinar oitenta mil crianças"
-Que tipo de ações apoia esta associação?
José A. Oliveira, membro do Rotary Intern. Distrito 1970 – Apoiamos projetos na área da promoção da paz, combate a doenças evitáveis, água potável e saneamento e saúde materno-infantil.
– De que forma apoiam o combate à pólio?
– Apesar de não haver cura, a doença pode ser prevenida pela vacina que tem sido usada pelo Rotary e parceiros para imunizar mais de 2,5 mil milhões de crianças no mundo inteiro.
– Qual foi a última iniciativa que fizeram?
– A ‘Maior Refeição do Mundo’. Os resultados reverteram a favor da pólio. Esperamos conseguir vacinar oitenta mil crianças.

PORMENORES
Erradicação da pólio
A associação Rotary luta pela erradicação da poliomielite desde 1979, altura em que implementou o primeiro projeto para vacinar crianças nas Filipinas. Ainda há casos de pólio no Afeganistão, Nigéria e Paquistão.

Último caso detetado
O último caso de poliomielite no mundo foi detetado em 2011, na Índia. Atualmente existem apenas 12 casos confirmados de pólio no mundo. Segundo a Rotary, são precisos cerca de mil milhões de dólares para a erradicação da doença.
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