País deveria estar nos 500 a 600 ensaios clínicos por ano, quando atualmente ronda os 100 ou 120 num ano, disse.
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O oncologista José Dinis considera que Portugal "está na idade da pedra" em termos de ensaios clínicos, faltando sobretudo uma estrutura organizada e centros com autonomia em relação aos hospitais, mas integrados num plano nacional.
No Simpósio "Oncologia em Portugal", organizado pela comissão parlamentar de Saúde, o especialista disse que o país está "com 15 anos de atraso" em termos de investigação clínica.
"Estamos com 15 anos de atraso, estamos na idade da pedra. É preciso arrepiar caminho se queremos tentar acompanhar o que já se faz lá fora", considerou.
Após a sua intervenção no simpósio, que decorreu esta terça-feira no parlamento, o médico do IPO do Porto, que pertence à direção da Sociedade Portuguesa da Oncologia, explicou à agência Lusa que o país "não tem infraestrutura montada" para a investigação clínica.
"Temos profissionais de qualidade, temos doentes, temos quase tudo. Mas não temos infraestrutura. Em termos de organização para fazer os ensaios clínicos estamos na idade da pedra. Os hospitais têm de ser centros de investigação autónomos e estar integrados num plano nacional", argumenta José Dinis.
O país deveria estar nos 500 a 600 ensaios clínicos por ano, quando atualmente ronda os 100 ou 120 num ano, disse.
"Estamos a anos-luz dos outros [países] em termos de infraestrutura para ensaios clínicos. Precisamos de ter um gabinete coordenador que seja o braço armado do Serviço Nacional de Saúde nesta matéria", afirma o oncologista, defendendo que o Ministério da Economia seja também incluído.
Isto porque, para José Dinis, a investigação clínica tem "uma relevância económica que está a ser subestimada".
"O dinheiro existe. Nós não estamos a pedir subsídios. É preciso é ter capacidade para que consigamos ir buscar o dinheiro. Se não temos estrutura, o dinheiro, em vez de vir para Portugal, vai para outro lado qualquer", afirmou.
O médico oncologista deu o exemplo de um só hospital na Bélgica, que tem 200 pessoas a trabalhar na área da investigação clínica.
José Dinis defendeu também a criação da figura de um provedor do doente em cada hospital, sendo uma figura que podia, por exemplo, orientar os doentes que entrem num ensaio clínico. O especialista adiantou que em muitos países nórdicos e nos Estados Unidos esta figura do provedor do doente nos hospitais é já rotina.
Segundo dados mostrados por vários especialistas durante o simpósio, a área oncológica é a que tem mais ensaios clínicos a decorrer, sendo responsável por 30% a 40% dos que decorrem em Portugal.
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