Barra Cofina

Correio da Manhã

Sociedade
9

Portugal tem de importar esperma de Espanha

O presidente do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida (CNPMA), o juiz desembargador Eurico Reis, afirmou esta sexta-feira que Portugal necessita importar esperma para conseguir fazer face à procura de casais inférteis, uma carência que deverá ser suprimida com o banco público de gâmetas.
30 de Abril de 2010 às 17:27
Importação de esperma visa combater infertilidade no País
Importação de esperma visa combater infertilidade no País FOTO: Arquivo CM

A criação de um banco público de gâmetas (óvulos e espermatozóides) e a importação de esperma de países como Espanha foram questões levantadas na III Reunião Anual do CNPMA com os 26 centros de Procriação Medicamente Assistida e a Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução.  

"Existe falta de esperma em Portugal", esclareceu Eurico Reis, no final da reunião, no auditório  da Assembleia da República, em Lisboa.  

Para ultrapassar esta "necessidade social", o CNPMA tem vindo a recomendar, desde há dois anos, a criação de um "centro público para recrutamento, selecção e recolha, criopreservação e armazenamento de gâmetas de dadores terceiros".

A importação e exportação de células reprodutivas passou apenas a ser possível mediante autorização prévia do CNPMA.

"Tem de haver uma certificação emitida por uma autoridade do país de onde vem o esperma. O país [exportador] pergunta se temos e nós dizemos que não existe esperma disponível em Portugal", explicou.  

Com a criação dessa norma as questões relacionadas com a importação destas células passaram a ser "mais visíveis do que antes eram", o que tornou "ainda maior a urgência da criação de um centro público", refere o CNPMA  na recomendação que consta no relatório de actividades do Conselho relativo a 2009.  

Para o Conselho, "não se trata de querer garantir uma aliás inexistente especificidade ou 'pureza' biológica que seja exclusiva dos portugueses",  considerando "tal ideia descabida, absurda e, no limite, racista".  

Em causa está o "aproveitamento das sinergias, capacidades e competências  dos técnicos que em Portugal exercem essa actividade, que merecem ser apoiados",  defende.  

Pretende-se ainda assegurar o "acesso equitativo da população a uma  técnica actualmente apenas realizada em regime privado, dada a necessidade  de contratos comerciais com os centros não portugueses de onde são originárias as células reprodutivas masculinas, ou de ultrapassar o problema não resolvido da definição das condições de que depende a atribuição de uma compensação  às dadoras".  

Eurico Reis admitiu que a falta de financiamento tem dificultado a implementação do primeiro banco público de gâmetas no Porto, anunciado pelo primeiro-ministro,  José Sócrates.  

No entanto, funciona um banco de esperma na Faculdade de Medicina do Porto, que recolheu, em 25 anos de existência, 980 amostras de esperma e 10 unidades de tecido ovárico.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)