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Correio da Manhã

Sociedade
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Os erros que os portugueses cometem na cozinha e na alimentação

Nutricionistas denunciam técnicas de confeção incorretas, como fritar e assar alimentos.
Francisca Genésio 21 de Outubro de 2018 às 01:30
Alimentação
Dieta Mediterrânea
Legumes escolas
Crianças têm de ter um ambiente alimentar mais saudável desde cedo. Os pais assumem um papel fundamental nesta tarefa
Peso não aumenta só com hidratos
Alimentação
Dieta Mediterrânea
Legumes escolas
Crianças têm de ter um ambiente alimentar mais saudável desde cedo. Os pais assumem um papel fundamental nesta tarefa
Peso não aumenta só com hidratos
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Dieta Mediterrânea
Legumes escolas
Crianças têm de ter um ambiente alimentar mais saudável desde cedo. Os pais assumem um papel fundamental nesta tarefa
Peso não aumenta só com hidratos
Para se ter uma alimentação equilibrada e saudável, não basta levar marmita para o trabalho, é preciso saber confecionar a comida de forma correta.

"Os portugueses continuam sem ter boas práticas quando chega a hora de cozinhar, embora tenham como objetivo ser o mais saudáveis possível. Continuam a preferir técnicas como fritar e assar, em vez de grelhar e cozer, por exemplo", refere a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento sublinhando que, desta forma, "estraga-se muitas vezes um prato 100% saudável". A especialista dá como exemplo uma caldeirada de peixe.

"É um prato super completo. Tem batatas, muita cebola, pimentos, peixe, entre outros. Se confecionarmos tudo corretamente, cozendo às camadas, é uma excelente opção. Por outro lado, se tentarmos inovar, ao fritarmos as batatas e o peixe, por exemplo, aquele prato já não tem o valor que tinha", explica Alexandra Bento, realçando que "fritando os alimentos, a quantidade de gordura aumenta". Segundo a nutricionista, o consumo de gorduras quase triplicou nas últimas quatro décadas.

Outra das falhas dos portugueses no que diz respeito à alimentação relaciona-se com o consumo diário excessivo de calorias. "São necessárias, é um facto, mas na quantidade certa. Aquilo que observamos é que em 40 anos a disponibilidade para ingerir mais calorias aumentou. Consumimos mais 400 Kcal, o que se reflete, por exemplo, no excesso de peso da população: mais de metade tem excesso de peso e mais de 20% tem obesidade", conclui Alexandra Bento. A bastonária alerta ainda para a necessidade de os portugueses consumirem mais fruta e leguminosas.

Alexandra Bento, Bastonária da Ordem dos Nutricionistas
"Não pode faltar sopa e uma peça de fruta"

- Segundo um estudo internacional, os portugueses demoram mais tempo a almoçar do que a população europeia. Como comenta este dado?
Alexandra Bento – A questão coloca-se sempre na composição da refeição e na forma como cozinhamos. O tempo pouco importa. É mais importante, por exemplo, fazer a pausa num espaço harmonioso do que o tempo que o demoramos a fazer. Até podemos ter muito tempo, mas isso de nada vale se a combinação da comida não for boa.

– O que é que não pode faltar na refeição ideal?
– O ideal é que não falte uma sopa e uma peça de fruta na refeição. São peças 100% obrigatórias. O prato em si, quer a quantidade, quer o tipo de alimentos, é a gosto. É importante que exista uma boa porção de leguminosas e hortaliças.

Conselho da semana
A sopa é, sem dúvida, o método mais saudável e mais completo para confecionar e ingerir leguminosas. Através dela é possível ingerir dezenas de vitaminas e minerais e ainda ficar saciado, promovendo assim, de certa forma, a perda de peso, já que está associada a um baixo valor calórico, devido ao elevado teor em água. Por isso, opte por completar as suas refeições com uma sopa de legumes.

"Há ainda muito para fazer nas refeições escolares"
A alimentação é uma parte fundamental do dia a dia dos estudantes. Os jovens têm de comer bem, sobretudo à hora de almoço, de forma a conseguirem obter energia necessária para realizar, com sucesso, todas as atividades do dia. "Há ainda muito para fazer no que diz respeito às refeições escolares.

É necessária uma estratégia para conseguirmos melhorar aspetos como a oferta alimentar, desde os bares, máquinas de venda automática, até ao próprio refeitório", esclarece Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas. A profissional alerta ainda para o facto de "o próprio conhecimento dos alunos ter de ser avaliado, para que seja possível alterar comportamentos".

Uma alimentação constituída por mais legumes e hortaliças, por exemplo, é uma das medidas que os nutricionistas querem ver cumprida nas ementas escolares. Uma dieta rica neste tipo de alimentos deve também ser uma prioridade dos pais. "É preciso tornar o ambiente alimentar das nossas crianças mais saudável, desde cedo", reforça Alexandra Bento.

Hidratos de carbono não prejudicam
 A ideia de que os hidratos de carbono ‘fazem mal’ ao jantar está enraizada na mentalidade portuguesa. Mas será que é mesmo assim? A bastonária da Ordem dos Nutricionistas garante que não.

"Não há mal nenhum em comer hidratos ao jantar, não engordam. O que engorda é o excesso de calorias. É preciso haver um equilíbrio energético", assegura.
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