Obtenção do galardão para a época balnear não será afetada, por haver "motivos justificados". Em causa estão sobretudo praias do norte e do centro.
As praias com dificuldades em repor o areal antes da época balnear devido às tempestades que atingiram Portugal entre janeiro e fevereiro gozam de um período "excecional" para hastear a Bandeira Azul.
O alerta foi esta quinta-feira dado pelo presidente da Associação Bandeira Azul da Europa, José Archer, durante a apresentação das praias que vão hastear o galardão nesta época balnear, numa cerimónia que decorreu em São Pedro do Estoril, concelho de Cascais, distrito de Lisboa.
"Em muitas zonas sim, [o comboio de tempestades] afetou [muitas praias], porque causou bastantes estragos, alguns de areia. As praias praticamente ficaram sem areia", começou por explicar o responsável.
Segundo José Archer, o mar "vai repondo" as areias, mas não é previsível isso aconteça em alguns casos antes do início da respetiva época balnear, apesar de os municípios estarem "a fazer um esforço grande".
"Há também acessos, obras de contenção, arribas, etc. que estão em estado mais crítico e que estão a ser intervencionadas. Nós esperamos que tudo esteja pronto a tempo. Aliás, este ano vamos ter um regime excecional para as zonas de calamidade, para poderem hastear mais tarde, se o decurso das obras não permitir que esteja tudo em condições para o período normal de hastear", afirmou.
O responsável considerou que, em alguns locais, "é capaz de ser difícil" tudo ficar como antes, mas referiu como positivo "que a Bandeira Azul também aumente a pressão para que tudo esteja pronto na hora certa".
Ainda assim, a obtenção do galardão para a época balnear não será afetada, por haver "motivos justificados".
"Aliás, as praias não ficaram sequer condicionadas, portanto, têm um período mais extenso, mais alargado para o hastear da bandeira. Se não o conseguirem, será justificado [...]. Isso não é imputável ao promotor, não é imputável à autarquia, é com certeza fruto das circunstâncias", explicou.
Em causa estão sobretudo praias do norte e do centro: "De longe foram as mais afetadas. Há zonas onde, de facto, os estragos foram muito consideráveis", indicou Pedro Archer.
Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal entre o final de janeiro e o início de março na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metades das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.
Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos superiores a cinco mil milhões de euros.
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