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Preço dos quartos em Lisboa atinge os 550 euros

Um quarto dos estudantes de Coimbra já ponderou abandonar os estudos devido ao custo do alojamento, revela inquérito.

25 de agosto de 2026 às 01:30

O aumento do custo do alojamento é um dos principais obstáculos para os estudantes do Ensino Superior e a subida de preços do arrendamento de quartos parece não ter fim. Os preços em Lisboa são os mais elevados do país e atingiram um valor médio de 555 euros por mês, segundo dados do Observatório de Alojamento Estudantil (student.alfredo.pt). Já no Porto, arrendar um quarto tem um custo médio de 480 euros, enquanto em Coimbra o valor desce para 300 euros. Em Aveiro e Braga, o preço médio cifra-se nos 350 euros e em Faro sobe para 400 euros por mês. “Os preços do alojamento sobem todos os anos e este é o maior entrave à frequência do ensino superior. Muitas famílias não têm condições para pagar e os estudantes optam por opções mais perto da residências”, afirmou ao CM Pedro Neto Monteiro, presidente da Federação Académica de Lisboa.

A oferta de camas públicas nas residências universitárias está ainda muito aquém das necessidades. “Houve um impulso com as verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) aplicadas no Plano Nacional de Alojamento do Ensino Superior (PNAES), que contempla a criação de 19 mil camas, mas estão concluídas pouco mais de cinco mil e há cerca de 2600 já em utilização mas com empreitadas ainda em curso”, refere o estudante. Falta ainda construir 11 mil camas. “É muito importante valorizar este esforço, junto à Universidade de Lisboa vão abrir duas grandes residências, mas a verdade é que mesmo quando estiverem concluídas, as 19 mil camas do plano não serão suficientes”, afirmou Neto Monteiro, lamentando que só com o PRR este plano tenha avançado mais. “É melhor pensar nos próximos passos porque o PRR está a terminar”.

Cerca de um quarto dos estudantes já pensou em abandonar o ensino superior devido aos custos elevados de alojamento, alimentação, transportes e material de estudo, segundo um inquérito online realizado pela Associação Académica de Coimbra (AAC). Dos 1039 alunos que responderam, 24,6% garante ter ponderado suspender a matrícula. "A habitação é o principal obstáculo", afirmou à Lusa José Machado, presidente da AAC. Segundo o inquérito, em Coimbra cerca de dois terços dos alunos (65,2%) paga 300 euros ou mais por um quarto. E 57,2% admite que a questão do alojamento condiciona a escolha da cidade ou instituição de ensino superior. Já cerca de 32% dos inquiridos refere que não tem contrato formal de arrendamento e 28,6% gasta entre 51% e 70% do seu orçamento mensal em alojamento, com 12,3% a gastar mais de 70%.

Fenprof pede mais investimento

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) considera que o aumento do número de estudantes colocados na 1.ª fase “é uma boa notícia", mas implica reforço do financiamento de instituições já “em subfinanciamento crónico”. “Significa mais turmas, mais aulas teóricas, práticas e laboratoriais, mais acompanhamento e maiores necessidades de docência e de outros recursos", alertou.

Mais 6092 colocados

Perto de 50 mil estudantes conseguiram colocação numa instituição de ensino superior pública, mais 6.092 do que no ano passado, ocupando 88,9% das vagas.

Médicos contra mais vagas

A Associação Nacional de Estudantes de Medicina avisou que ser "uma retórica falaciosa" a ideia de que o aumento de vagas resolve a falta de médicos no Serviço Nacional de Saúde.

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