Um forte barulho seguido de uma onda de choque foi ouvido no litoral Centro, mas não provocou vítimas ou danos materiais.
O presidente da Câmara da Figueira da Foz não teve conhecimento da missão operacional de um caça F-16, que, na segunda-feira, ultrapassou a barreira do som no litoral Centro, provocando um enorme estrondo e uma onda de choque.
Na sessão de Câmara desta terça-feira, Pedro Santana Lopes começou por informar a vereação que continuava "sem saber a origem do enorme barulho", que foi audível na cidade da Figueira da Foz e noutras zonas do litoral do distrito de Coimbra.
"Questionei todas as entidades que dizem não fazer ideia e que não conseguem identificar uma causa", disse o autarca, que considerou "estranho ninguém saber de nada", afastando hipóteses de rebentamentos nas obras do porto ou atividade sísmica.
Já próximo do final da reunião, o presidente da Câmara da Figueira da Foz leu o comunicado da Força Aérea emitido ao final da manhã, que atribuía o "estrondo audível" à "realização de uma missão operacional de F-16M, no âmbito da defesa aérea, em que houve necessidade de ultrapassar a barreira do som".
"Este tipo de atividade é essencial para garantir a prontidão e eficácia dos meios nacionais na salvaguarda do espaço aéreo, estando a todo o momento assegurado o controlo da situação/atividade", lê-se no comunicado.
Esta instituição esclareceu ainda que em "determinadas condições atmosféricas, nomeadamente inversões térmicas ou variações de densidade do ar, pode verificar-se uma maior propagação das ondas de choque, tornando o fenómeno mais audível e abrangente que o expectável à superfície".
A Força Aérea acrescentou que "não existiu qualquer situação de perigo para a população, tratando-se de uma ocorrência pontual decorrente de operações essenciais à segurança e defesa nacional. A Instituição mantém o seu compromisso permanente com a defesa do espaço aéreo nacional e a segurança dos cidadãos".
Um forte barulho seguido de uma onda de choque, que durou poucos segundos, ocorrido ao final da manhã de segunda-feira, foi ouvido no litoral Centro, mas não provocou vítimas ou danos materiais, disse naquele dia a Proteção Civil municipal.
Pelas 12:37, no parque de estacionamento exterior de uma superfície comercial na vila de Buarcos, Figueira da Foz, a agência Lusa constatou a ocorrência de um curto barulho 'surdo' - semelhante a um trovão longínquo - mas claramente audível, imediatamente seguido de uma onda de choque que durou cerca de dois segundos, fez tremer o chão e abanar violentamente os vidros do supermercado.
Fonte do Serviço Municipal de Proteção Civil da Figueira da Foz - cujo edifício está localizado na zona leste da cidade, a cerca de 2,6 quilómetros da referida superfície comercial - vincou também ter ouvido o barulho e sentido a onda de choque, mas indicou que os contactos destinados a identificar a origem do sucedido resultaram, naquele dia, infrutíferos.
A mesma fonte indicou na ocasião que os bombeiros não registaram qualquer chamada de emergência face ao sucedido, tendo também posto de parte ter-se tratado de uma descarga elétrica.
Em declarações pelas 16:00 de segunda-feira, mais de três horas depois do incidente, a mesma fonte afastou ainda a hipótese de se ter tratado de um avião de combate a passar a barreira do som, após contacto nesse sentido com a Força Aérea Portuguesa (e de não existirem relatos de um avião ter sobrevoado aquela área) ou de uma possível explosão subaquática - como as que decorrem no leito do rio Mondego, junto ao cais comercial, na obra de aprofundamento da barra.
Na margem esquerda do Mondego, na zona do porto de pesca, a jusante do cais comercial, e também nas instalações da papeleira Navigator, cerca de 10 km em linha reta a sul, existiram vários relatos do ocorrido.
Estes, segundo a mesma fonte da Proteção Civil, estenderam-se a povoações do norte e nordeste do concelho da Figueira da Foz (como Quiaios ou Ferreira-a-Nova), Tocha (Cantanhede) e Bunhosa e Arazede (Montemor-o-Velho), entre outros locais.
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