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Correio da Manhã

Sociedade
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Presos querem ser doutores

A versão popular que nos diz que "nunca é tarde para aprender" está a ser levada à risca por mais de 30 por cento dos reclusos. Há professores universitários que se deslocam às cadeias para vigiar os exames e 38 presos já estão a caminho da licenciatura.
12 de Maio de 2010 às 00:30
Reclusos têm ajuda para aceder aos manuais
Reclusos têm ajuda para aceder aos manuais FOTO: Vítor Mota

Os números são esclarecedores. Dos 11 400 presos nas cadeias portuguesas, 3690 andam a estudar. Segundo dados da Direcção-Geral dos Serviços Prisionais (DGSP), 1932 frequentam cursos de educação e formação de adultos, de nível básico e secundário; 1720 estão em cursos profissionais e 38 frequentam o ensino superior.

Os candidatos a doutor têm facilidades especiais. Em algumas universidades existem funcionários que fazem a ponte entre os reclusos e os docentes, "fornecendo os manuais, fotocópias e outros materiais necessários ao estudo e sensibilizam os professores para o apoio pedagógico que é preciso prestar", esclarece a DGSP.

Nos outros casos, é remetida a bibliografia dos cursos e os técnicos da prisão ajudam os reclusos a aceder aos manuais ou à informação on-line. Há ainda casos, embora poucos, em que é a família do preso a tratar das inscrições e aquisição de materiais pedagógicos.

Quando chega a época de exames, "sempre que possível o recluso desloca-se ao estabelecimento de ensino para prestar provas". Algumas escolas "fazem deslocar os seus professores" à cadeia e outras enviam os exames à direcção do estabelecimento prisional, sendo os técnicos os responsáveis pela vigilância das provas, adianta a DGSP.

Nos últimos cinco anos, o número de reclusos a frequentar o ensino superior oscilou entre os 33 (em 2005) e os 47 (em 2009). Apesar disso, continua a haver analfabetismo no meio prisional. No primeiro trimestre do ano, estavam presas 521 pessoas sem saber ler nem escrever e 567 que nunca frequentaram a escola.

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