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Correio da Manhã

Sociedade
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Primeira causa de morte e internamento

As doenças cardiovasculares, do coração e da circulação, designadas por doenças do aparelho circulatório, são a primeira causa de morte (33 693 casos em 2010) e de internamento hospitalar em Portugal.

20 de Maio de 2012 às 01:00
DOENÇAS CARDIOVASCULARES, SAÚDE, MORTE, INTERNAMENTO
DOENÇAS CARDIOVASCULARES, SAÚDE, MORTE, INTERNAMENTO FOTO: Ricardo Gaudêncio e Nuno Jesus

A sua repercussão social é elevada, devido à incapacidade que provoca, nomeadamente nos idosos, e justifica o custo elevado que representa em todo o mundo – dois terços dos gastos em Saúde são para estas doenças.

Em Portugal não há dados concretos, mas a realidade não deverá ser diferente. Apesar de estar no topo das causas de morte, a realidade portuguesa tem vindo a evoluir, "sobretudo pela diminuição de acidentes vasculares cerebrais fatais", refere Evangelista Rocha, coordenador da prevenção cardiovascular da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC). Este declínio da mortalidade está relacionado com o "impacto da prevenção e controlo dos factores de risco cardiovascular, e à melhoria da eficácia do tratamento dos doentes".

Os factores de risco responsáveis pelo desenvolvimento das doenças cardiovasculares estão identificados: biológicos, [pressão arterial, açúcar, colesterol e peso], estilos de vida [tabaco, dieta, álcool e sedentariedade], modificáveis [rendimentos, educação, condições de vida e de trabalho] e não modificáveis [sexo, idade, genética e etnia]".

Evangelista Rocha refere que os factores de maior impacto são os relacionados com os denominados estilos de vida. "O aumento da tensão arterial, do colesterol e o consumo do tabaco, a obesidade e a diabetes são os principais factores de risco para as doenças cardiovasculares", refere o responsável, alertando para outro importante factor: o ‘stress psicossocial’ – baixa condição socioeconómica, isolamento, baixo suporte social, stress no trabalho e na vida familiar, depressão, ansiedade, hostilidade e ira –, situação agravada com a actual crise económica.

DISCURSO DIRECTO

"UM TERÇO NÃO FAZ EXERCÍCIO", Carlos Aguiar, Vice-pres. Soc. Port. de Cardiologia 

CM – Qual o risco das doenças cardiovasculares?

Carlos Aguiar – Um em quatro portugueses adultos corre o risco elevado de morrer de enfarte, ou AVC, nos próximos dez anos.

– Qual a importância de hábitos de vida saudáveis?

– É fundamental um estilo de vida saudável: um terço dos homens e 25% das mulheres não fazem actividade física. 

O MEU CASO: JOSÉ PEREIRA ABREU

PICADAS NO BRAÇO E DOR NO PEITO REVELARAM A DOENÇA

José Pereira de Abreu começou a sentir, há cerca de cinco anos, "umas picadas no braço esquerdo e uma dorzita no peito". Estava a iniciar-se a sua ‘relação’ regular com as doenças cardiovasculares. "Resolvi ir a uma consulta com uma cardiologista que, de imediato, submeteu-me a um electrocardiograma e me enviou para a Urgência de cardiologia do Hospital de Faro", conta José Pereira de Abreu, convencido de que foi o "socorro rápido" que lhe salvou a vida. O paciente acabou por ser transferido para Lisboa. "Estive oito dias internado no Hospital da Cruz Vermelha, onde fiz cateterismo e umas ‘emendas aos canais’, refere o paciente, viúvo e com 82 anos.

José Pereira de Abreu é diabético e, actualmente, tem de tomar doze comprimidos por dia. "Modifiquei alguns hábitos de vida, como a alimentação e o sedentarismo e tento realizar algum exercício físico".

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