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Correio da Manhã

Sociedade
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Privados recusam tratar casais inférteis

Alguns centros privados de procriação medicamente assistida preparam-se para recusar casais inférteis enviados pelo Estado por discordarem da forma como estes serão encaminhados a partir de Julho.
11 de Março de 2009 às 00:30
Jorge Branco destaca rapidez
Jorge Branco destaca rapidez FOTO: D.R.

Para reduzir a lista de espera o Governo vai fazer alterações no encaminhamento dos casais para tratamento, através de um sistema informático que distribuirá os casais pelos centros, públicos ou privados, com menos tempo de espera. O coordenador do Programa Nacional de Saúde Reprodutiva, Jorge Branco, entende que deveriam ser os casais a optar e não serem encaminhados por um sistema informático.

Alberto Barros, responsável pelo serviço de Genética do Hospital de São João, no Porto, tem um dos maiores centros privados do País e já fez saber que está fora deste sistema. O médico discorda da metodologia da tabela de preços do Ministério da Saúde: "Iria ter doentes de classe A, a quem cobraria, e doentes de classe B, enviados pelo Estado." A ministra da Saúde, Ana Jorge, já lamentou esta posição, esperando uma alteração de opinião logo que sejam conhecidas as propostas do Governo.

Dados da Sociedade de Medicina da Reprodução apontam para a existência de 290 mil casais com problemas de infertilidade. Mais de 20 mil crianças já terão nascido em Portugal com recurso a técnicas de procriação medicamente assistida desde finais dos anos 80.

Pereira Coelho, ‘pai' do primeiro bebé-proveta português, diz que a nova forma de distribuição dos casais poderá ser inconstitucional.

INFORMÁTICA ESCOLHE CENTRO MAIS RÁPIDO

A partir de Julho um sistema informático vai distribuir para os centros privados que contratualizem com o Estado os casais que se encontrem em lista de espera para tratamento da infertilidade. Este encaminhamento dar-se-á sempre que os casais não encontrem uma resposta do sector público, responsável por 50 por cento dos tratamentos de procriação medicamente assistida. Segundo Jorge Branco, coordenador do Programa Nacional de Saúde Reprodutiva, depois de ser inscrito numa lista nacional o casal será encaminhado para o centro que demorar menos tempo a atender.

APONTAMENTOS

PREÇOS NO ESTADO

Uma consulta de apoio à fertilidade custa ao Serviço Nacional de Saúde 94 euros. Um tratamento através de indução ovárica custa 300 euros e a inseminação 400 euros. A fertilização in vitro vai até aos 2500 euros.

INFERTILIDADE

A infertilidade resulta de uma disfunção nos órgãos reprodutores, masculinos, femininos ou ambos. Um casal é infértil quando não alcança a gravidez ao fim de um anode vida sexual contínua sem contraceptivos.

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