Casa Relvas é o primeiro produtor a ostentar o 'selo' do Programa de Sustentabilidade do Azeite, que reconhece as suas boas práticas sociais, ambientais e económicas.
Com 543 hectares de olival no Alentejo, a Casa Relvas é o primeiro produtor a ostentar o 'selo' do Programa de Sustentabilidade do Azeite (PSA), que reconhece as suas boas práticas sociais, ambientais e económicas.
"Para nós, a sustentabilidade é muito importante", realçou à agência Lusa António Relvas, que é presidente executivo ( CEO - 'chief executive officer') da Casa Relvas, juntamente com o irmão, Alexandre Relvas.
No vinho, lembrou, a Casa Relvas já foi "dos primeiros [produtores] certificados" pelo Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo (PSVA), iniciativa inovadora no mundo promovida pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA).
E, agora, "no azeite fomos os primeiros" certificados no âmbito do Programa de Sustentabilidade do Azeite (PSA), congratulou-se.
O PSA, uma iniciativa igualmente pioneira, arrancou em 2022, numa parceria da OLIVUM -- Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal, com sede em Beja, com a Universidade de Évora, e então vocacionado apenas para o Alentejo.
O projeto acabou por assumir uma abrangência nacional em 2024 e os processos de auditorias, para atribuir as certificações, arrancaram em 2025, assentando num referencial composto por 98 critérios, organizados em 26 capítulos, que avalia as dimensões "ambientais, sociais e económicas da produção de azeite".
A Casa Relvas acabou por ser o primeiro produtor certificado, dando "continuidade" ao trabalho que a empresa tem vindo a realizar ao longo dos anos nas áreas da sustentabilidade social, económica e ambiental, explicou António Relvas.
De acordo com o gestor, para garantir a certificação PSA a empresa não teve "de mudar estruturalmente nada", mas o processo acabou por criar "novos desafios de melhoria, tanto em métricas ambientais como em métricas de gestão".
A aposta na sustentabilidade levou a que, ao longo dos anos, a empresa tenha criado uma central de compostagem e utilize o caroço da azeitona como fonte de produção de energia para alimentar as caldeiras do seu lagar, situado no concelho de Vidigueira, distrito de Beja.
O enrelvamento do solo entre árvores nos seus olivais, situados na Vidigueira e no concelho de Redondo, distrito de Évora, a instalação de painéis fotovoltaicos para a produção de energia ou a utilização de caixas certificadas pelos padrões FSC (Forest Stewardship Council) são outras das medidas adotadas pela empresa.
A par disso, explicou o gestor, a Casa Relvas avançou, em 2025, com um "levantamento de toda a biodiversidade da fauna e flora dos 2.500 hectares" de olival, vinha, amendoal e floresta que gere.
Já na área social, "cerca de 15% dos nossos resultados vão para o apoio social, para os nossos trabalhadores e para as comunidades onde nos inserimos", explicou António Relvas.
E, em matéria de sustentabilidade económica, a empresa aposta "no uso eficiente da água, para produzir mais com menos".
Na opinião de António Relvas, a mais-valia da certificação PSA é a de comprovar "que a agricultura portuguesa é sustentável e do melhor que se faz no mundo".
A par disso, rematou, o programa permite "valorizar o azeite português" no mercado internacional, o que "é ótimo para Portugal e para as populações locais".
O primeiro certificado para a Casa Relvas foi emitido em dezembro de 2025 e, de acordo com António Relvas, "muito em breve já vai ser possível encontrar disponível no mercado os primeiros azeites com o selo de sustentabilidade".
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