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Correio da Manhã

Sociedade

Professor acusado de abusos contra 3 alunas dá aulas

Fernando Queirós, de 44 anos, lecciona na Secundária Clara de Resende, no Porto. Ministério Público deu credibilidade às denúncias das menores
14 de Dezembro de 2010 às 00:30
O caso, investigado pela Polícia Judiciária, vai ser julgado do Tribunal de São João Novo, no Porto. A primeira audiência está marcada para Fevereiro
O caso, investigado pela Polícia Judiciária, vai ser julgado do Tribunal de São João Novo, no Porto. A primeira audiência está marcada para Fevereiro FOTO: Alexandre Panda

Durante mais de um ano, Maria (nome fictício), de 14 anos, aluna do 8º ano, sofreu em silêncio devido ao comportamento do professor de Geografia, que a apalpava na sala de aulas da escola Clara de Resende, no Porto. Também em 2008, Joana e Catarina (nomes fictícios), de 14 e 15 anos, estudantes da mesma escola, dizem ter sido vítimas do docente, que continua a dar aulas no mesmo estabelecimento. As acusações recaem sobre Fernando Queirós, de 44 anos, que vai enfrentar o julgamento em Fevereiro, no Tribunal São João Novo, no Porto.

Decorria o ano escolar de 2006/2007, quando o professor de Geografia e director de turma começou a dar especial atenção a Maria, a qual agarrava muitas vezes pela mão e pela anca, à frente dos colegas de turma. No final do primeiro período, o professor pediu à menor que ficasse depois das aulas, para falar com ela. Fernando aproximou-se do quadro, onde estava a aluna e tocou-lhe em várias partes do corpo. "Semanalmente houve beliscões e apalpões nas nádegas", garante a acusação do Ministério Público, a que o CM teve acesso e que também dá conta de que, em Janeiro de 2008, o professor passou um dedo de raspão na vagina da menor.

A Catarina, o homem terá enfiado um dedo na boca após lhe ter pedido para ficar na sala depois das aulas, para limpar o quadro. O reflexo de defesa foi imediato: mordeu o professor e ameaçou gritar.

Também na sala de aulas, o professor terá apalpado as nádegas de Joana, que chamou logo a atenção ao homem. Para se desculpar, o professor disse que apenas queira limpar a sujidade que a menina tinha nos calções.

CONDENADOS NÃO SÃO IMPEDIDOS DE ENSINAR

O caso do professor Fernando Queirós não é único. Há vários exemplos de professores acusados de abusar sexualmente de menores, a maior parte das vezes seus alunos, que continuam a leccionar. Isto porque saíram do tribunal sem qualquer proibição de voltar a exercer a profissão.

Filipe, professor de Música condenado a uma pena de prisão suspensa por crimes sexuais contra ex--alunas, foi julgado no Tribunal de Gondomar e de lá saiu sem a inibição de se candidatar a funções docentes.

Após a detenção, o professor esteve proibido de voltar às escolas em que tinha trabalhado e foi suspenso. Quando o contrato acabou, voltou a dar aulas numa escola de Rio Tinto, em que foi director de turma.

Carlos Silva, professor de Geografia das Caldas da Rainha, acusado de exibir o pénis à frente de duas meninas, de seis e nove anos, está actualmente a dar aulas em Óbidos. Ana Margarida, professora de Português em Braga, foi condenada a pena suspensa por abuso sexual de uma menor. Mas pode leccionar.

JULGAMENTO À PORTA FECHADA

O julgamento, agendado para dia 16 de Fevereiro no Tribunal de São João Novo, no Porto, vai decorrer à porta fechada. As três alunas, hoje com 16 e 17 anos, não serão ouvidas no julgamento por terem já prestado declarações durante o inquérito judicial, válidas para memória futura. O arguido, Fernando Queirós, está actualmente com termo de identidade e residência.

PEDÓFILO FOGE PARA A RÚSSIA

O professor e membro da Comissão de Protecção de Menores de Famalicão, Luís Paulo, que terá filmado os abusos sexuais cometidos contra um jovem de 16 anos, fugiu para a Rússia depois de ter sido posto em liberdade pelo juiz. Está incontactável desde Março. Luís foi suspenso das suas funções de docente e de membro da CPCJ.

DISCURSO DIRECTO

"DEVERIA SER AFASTADO DAS CRIANÇAS": Albino Almeida, Presidente da CONFAP

– O professor já foi alvo de um inquérito da DREN que o absolveu, mas o caso só vai a julgamento judicial em Fevereiro. Acha que o professor devia ser afastado?

Albino Almeida – Não se pode condenar alguém que ainda não foi julgado, mas o docente deveria ser afastado do contacto com as crianças de forma preventiva. Não deveria ter uma actividade lectiva.

– Deveria ser transferido para outra escola?

– Não. O professor iria sempre carregar o peso da suspeição atrás dele numa outra escola. E caso venha a ser condenado, mudá-lo de escola era propagar o mal para outro estabelecimento.

– Então qual era o lugar que podia ocupar?

– Há muito trabalho nas bibliotecas ou nos serviços administrativos das escolas. O professor, que pode ser falsamente acusado, merece um trabalho digno.

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