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Correio da Manhã

Sociedade
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Professora leva socos e pontapés

Uma professora foi violentamente agredida com socos e pontapés, ontem de manhã, por uma aluna de 13 anos, na escola EB 2,3 Aires Barbosa, em Esgueira, Aveiro. A professora sofreu ferimentos na face e nas mãos, tendo sido assistida no Hospital de Aveiro, de onde teve alta uma hora depois. A aluna foi suspensa por dez dias.
17 de Março de 2009 às 00:30
Os alunos ficaram surpreendidos com a agressão. Escola Segura tomou conta da ocorrência
Os alunos ficaram surpreendidos com a agressão. Escola Segura tomou conta da ocorrência FOTO: José Rebelo

O caso ocorreu às 10h00, quando Áurea Teixeira, professora de Educação Visual e Tecnológica, estava a leccionar a turma do 5º I, constituída apenas por alunos de etnia cigana que têm dificuldades escolares. Os elementos da Escola Segura tomaram conta da ocorrência.

Durante a aula, a docente repreendeu a aluna por não ter feito os trabalhos de casa e mandou-a para a sala de estudo. A adolescente recusou e agrediu a professora com vários murros e pontapés. Só a intervenção dos colegas de turma e de alguns funcionários conseguiu acalmar a aluna.

"Disse-lhe que não queria ir para a sala de estudo, mas ela queria obrigar-me, por isso bati--lhe", contou ao CM a adolescente que reside na Quinta do Simão, uma das zonas mais problemáticas de Aveiro.

Depois de sair do hospital, Áurea Teixeira regressou à escola e leccionou o resto das aulas que tinha previstas. No entanto, a professora mostrou-se bastante perturbada com a situação e preferiu não prestar declarações.

A adolescente também permaneceu na escola durante o resto do dia, manifestando um comportamento despreocupado.

"Não sabemos o que lhe passou pela cabeça, ela nunca teve nenhum comportamento agressivo. Se não fosse a intervenção dos colegas não sei o que teria acontecido" contou Manuela Caetano, vice-presidente da escola.

Apesar de ser repetente, a aluna nunca causou problemas na escola. "Os problema não são a escola, é a família. Ela já vinha transtornada de casa, pertence a uma família muito complicada", explicou uma professora.

COMUNIDADE CIGANA TEM AULAS EM CONTENTOR

A Direcção Regional de Educação do Norte rejeita a existência de discriminação racial numa escola de Barqueiros, em Barcelos, dizendo que "apenas foi criada uma turma que responde à especificidade de um grupo de jovens", alguns de etnia cigana. "A Escola Básica de Lagoa Negra procura integrar e proporcionar o acesso ao 4º e 6º anos de escolaridade a um conjunto de jovens provenientes de dois acampamentos de famílias com debilidades" económicas e sociais, sublinha. Os alunos estão a ter aulas em separado e num contentor.

SAIBA MAIS

AGRESSÕES

O Observatório da Segurança Escolar registou 185 agressões a professores em 2006/07.

160 inquéritos-crime de violência escolar foram abertos pelo Ministério Público durante 2008.

7 contactos a denunciar agressões foram recebidos na Linha SOS Professor, já em 2009.

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