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Professores gostam do que fazem mas não incentivam jovens a escolher a profissão

Mais de 90% dos inquiridos consideram trabalhar muito para aquilo que recebem.

24 de julho de 2026 às 11:20

A maioria dos professores gosta do que faz, mas considera os salários baixos e, por isso, não incentivaria um jovem a escolher a profissão, segundo dados esta sexta-feira divulgados após uma consulta nacional.

O retrato é traçado nos resultados da consulta nacional promovida pela Federação Nacional da Educação (FNE) e pela Associação para a Formação e Investigação em Educação e Trabalho (AFIET).

Realizado entre 12 e 26 de junho, o inquérito foi feito a 3.174 professores, do pré-escolar ao secundário, e há opiniões quase unânimes, desde logo o gosto pela profissão.

De acordo com os resultados, 95,3% afirmam gostar da profissão e 78,6% sentem-se realizados no exercício profissional.

Nos últimos três anos, a percentagem dos professores que mais afirmam gostar da profissão tem estabilizado.

Os sentimentos positivos não têm, no entanto, reflexo naquilo que pensam sobre as condições de trabalho e as queixas partilhadas na consulta nacional são semelhantes às registadas nos anos anteriores pela FNE.

Mais de 90% dos inquiridos consideram trabalhar muito para aquilo que recebem e entendem que os salários não estão ao nível das qualificações e competências exigidas.

É entre os professores com idades entre os 40 e 59 anos que é maior a percentagem dos que consideram que a remuneração não está ao nível das qualificações que são exigidas.

Por outro lado, mais de 70% dizem que a profissão não é atrativa e sentem-se constantemente avaliados e julgados.

Por isso, e apesar de gostarem do que fazem, a maioria dos professores (71,0%) não incentivaria um jovem a escolher a carreira docente.

No último ano, quase 40% dos docentes assinalaram que sentiram algumas dificuldades financeiras associadas à necessidade de se deslocar para a escola em que trabalham e mais de 20% sentiram necessidade para arrendar casa para poder trabalhar.

Numa espécie de balanço do último ano letivo, o 'ranking' dos maiores desafios enfrentados pelos docentes é liderado pelo trabalho administrativo, seguindo-se a necessidade de responder à diversidade das necessidades específicas de cada aluno, a conciliação entre o trabalho e vida pessoal e a indisciplina em sala de aula.

Questionados sobre as prioridades de investimento na sua escola, o reforço de pessoal de apoio educativo é a resposta mais frequente (20,4%), seguida do apoio a alunos com necessidades específicas (20,0%) e o reforço do pessoal docente (14,3%).

Já sobre as novas ferramentas digitais, a maioria (65,8%) discorda da utilização de manuais digitais no processo de aprendizagem dos seus alunos.

Mas há 51,5% docentes a assumir que usa ferramentas de Inteligência Artificial (IA) Generativa em Educação, tipo ChatGPT, na preparação das suas aulas, sendo que no ano anterior a percentagem era de 32%.

Neste momento, os docentes entendem que as três principais prioridades das reivindicações sindicais devem incidir na carreira e justiça profissional, final de carreira e aposentação e condições concretas do exercício da profissão como o número de alunos por docente, horários e burocracia.

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