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Correio da Manhã

Sociedade
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Projeto evita viagem dos doentes ao hospital para receber medicamentos

Programa do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra está em funcionamento há três anos e abrange 208 doentes.
Paula Gonçalves 4 de Janeiro de 2020 às 08:37
Projeto evita viagem dos doentes ao hospital para receber medicamentos
Carlos e Graciela são do Minho
Projeto evita viagem dos doentes ao hospital para receber medicamentos
Carlos e Graciela são do Minho
Projeto evita viagem dos doentes ao hospital para receber medicamentos
Carlos e Graciela são do Minho
Os doentes crónicos acompanhados no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) podem receber os medicamentos de prescrição exclusivamente hospitalar na sua farmácia de proximidade, evitando assim deslocações, despesas e faltas ao trabalho. O Programa de Entrega de Medicamentos em Proximidade entrou em funcionamento há três anos e já abrange 280 doentes de todo o País.

"O programa foi desenhado para aproximar o medicamento do seu destinatário", resume Fernando Regateiro, presidente do conselho de administração do CHUC. Destina-se, sobretudo, a doentes crónicos, que necessitam da medicação para toda a vida. "Em vez de o doente vir buscar o medicamento todos os meses ao hospital, é a medicação que vai ter com ele, o que evita deslocações, faltas ao trabalho e despesas em viagens que são significativas", sublinha.

O programa é "centrado no doente e nas limitações e dificuldades que possa ter", acrescenta, por seu lado, Clara Sequeira, farmacêutica clínica da Unidade de Transplantes Hepáticos. A adesão ao programa obedece, segundo a especialista, a fatores específicos: "Atendemos a critérios como a distância, limitações físicas e cognitivas que o doente possa ter e fazendo uma validação prévia da receita em contexto de consulta farmacêutica, o que é imperativo no sentido de testarmos toda a fiabilidade do processo".

DISCURSO DIRETO
Fernando Regateiro, Presidente do Conselho Administrativo do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
"Facilitar o acesso"
CM - O programa abrange doentes de que zonas?

- De Trás-os-Montes até Faro, passando pelas ilhas. Um doente deslocar-se mensalmente ao hospital tem custos. É esta a razão pela qual se desenvolveu o programa: criar condições para facilitar o acesso ao medicamento.
- O investimento é alto?
- Para os doentes não tem custos e para o hospital são pouco significativos. Mensalmente não chegará aos mil euros. Vale a pena pelos ganhos para os doentes.
- Está previsto o aumento do número de doentes?
- Atualmente são 280, a nossa ideia é que até ao final do ano possamos atingir os 450 e criar uma estrutura própria de apoio.

"Deixámos de estar preocupados"
Leonor, de 6 anos, foi submetida a um transplante hepático em 2014 no Hospital Pediátrico de Coimbra. A família reside em Viana do Castelo e os pais tinham de se deslocar a Coimbra todos os meses para levantar os medicamentos, numa viagem de 400 quilómetros, de ida e volta. Agora, tudo mudou. "É um alívio. Deixámos de estar preocupados. Só tem vantagens financeiramente e psicologicamente", refere Carlos Antunes, 41 anos, operário fabril. A mulher, Graciela Torres, de 37, lembra que gastavam entre 50 a 60 euros em cada viagem e um deles tinha de faltar ao trabalho.
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