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Correio da Manhã

Sociedade
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Prótese única no País muda uma vida

Mónia Tecar Lupatiu, uma cidadã romena que perdeu o braço direito em resultado de um acidente de trabalho no Circo Atlas, em Novembro de 2005, recebeu a prótese mais avançada do mercado. Um gesto que lhe “mudou a vida”, afirma a própria. A prótese está em fase de testes finais, de forma a adaptar o seu funcionamento ao corpo de Mónica.
23 de Julho de 2010 às 00:30
Prótese usa tecnologia de ponta
Prótese usa tecnologia de ponta FOTO: Duarte Roriz

Mónica  Lupatiu estava a trabalhar no Circo Atlas quando um tigre a puxou pelo gradeamento da jaula e lhe rasgou o braço. Na altura grávida de quatro meses, o bebé resistiu e acabou por não sofrer sequelas resultantes do ataque. O incidente foi sempre descrito em duas versões, a de Mónica Lupatiu e a de Walter Dias, proprietário do circo, que afirmou que a sua funcionária tentou fazer festas ao animal.

 

Os responsáveis pelo circo nunca assumiram qualquer responsabilidade, o que motivou  um processo judicial que se arrastou nos últimos cinco anos. “Tive algumas recaídas, andava stressada”, confidencia Mónica, adiantando que foram algumas pessoas próximas que lhe deram “força para continuar”. Foi através da embaixada da Roménia, da comunidade romena em Portugal e de técnicos que a acompanharam que Mónica diz ter conseguido suportar, juntamente com o marido, Gheorghe, a situação que viveu e os tempos que se lhe seguiram. Foi a caridade de terceiros que lhe permitiu ter um meio de subsistência nos anos seguintes ao acidente. A decisão judicial acabou por dar razão a Mónica, condenando o circo a pagar uma indemnização, que, de resto, ainda não foi totalmente paga.

 

Foi através do Fundo de Acidentes de Trabalho, que financiou o pagamento da nova prótese, que Mónica ganhou mais independência e liberdade de movimentos. A prótese que recebeu é única em Portugal, sendo utilizada pelo exército norte-americano para reabilitar veteranos amputados no Iraque e Afeganistão. Com um custo que pode ascender aos 60 mil euros, a prótese permite uma maior amplitude de gestos, bem como uma maior eficácia na utilização da força exercida e na poupança de energia usada.

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