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Correio da Manhã

Sociedade
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Psicóloga 'apanhada' online diz que apenas houve beijo e abraço

Profissional desmente “atos de cariz sexual”. "Não foi despedida”, o contrato é que terminou, garante advogado.
Edgar Nascimento 16 de Setembro de 2020 às 08:36
Caso envolveu uma psicóloga, um professor e pais e alunos da Escola Básica 2,3 Damião de Odemira, no sudoeste alentejano
Caso envolveu uma psicóloga, um professor e pais e alunos da Escola Básica 2,3 Damião de Odemira, no sudoeste alentejano FOTO: Luís Guerreiro

A psicóloga que foi ‘apanhada’ online por pais e alunos em cenas íntimas com um professor garante que "não existiram atos de cariz sexual", mas apenas uma despedida "com um abraço e um beijo na face".

José Godinho Rocha, advogado da psicóloga que prestou serviço no Agrupamento de Escolas de Odemira, explica, em comunicado, que tudo se passou a 26 de junho (e não em março, como relataram pais de alunos da EB 2,3 Damião de Odemira).  



"Nesse dia, as câmaras dos portáteis que iriam ser utilizados (na videoconferência entre psicóloga e pais e alunos), não estavam funcionais. Um colega professor que era entendido na matéria prontificou-se a ajudar." Como a avaria não podia ser resolvida de imediato, "a minha cliente deslocou-se a uma loja chinesa para adquirir uma câmara externa e, com a ajuda do seu colega professor, instalou a mesma".

O representante da psicóloga explica que a câmara externa estava funcional às 14h45, 15 minutos antes do início previsto para a sessão.

"Após isso, o colega professor sentou-se perto da minha cliente, despediu-se desta e foi à sua vida." A videoconferência começou à hora marcada e decorreu "normalmente". "Ao que parece, os alunos aproveitaram os 15 minutos que eventualmente a minha cliente estava a aguardar pela hora para "espiar", não sabemos se com a anuência de alguns encarregados de educação", considera.

"Sem que nada o fizesse prever, no dia 17 de julho foi instaurado processo disciplinar contra a minha cliente. No dia 28 de julho foi notificada para comparecer na Escola Secundária a fim de depor como arguida no processo disciplinar. No dia 13 de agosto, foi notificada para comparecer no Agrupamento de Escolas de Odemira no dia 18 de agosto, onde obteve conhecimento que o processo foi arquivado", explica José Godinho Rocha. A psicóloga "não foi nem despedida nem suspensa, o seu contrato a termo certo terminou, nada mais".

Saiba mais
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A psicóloga tinha a função de divulgar a "oferta formativa" do Agrupamento de Escolas de Odemira para o ano letivo 2020/21. Os destinatários eram os alunos do 9º ano, que estavam em final de ciclo e que teriam de escolher uma área para prosseguir os estudos no Secundário.

Ameaça de processo
No comunicado enviado à comunicação social, o advogado da psicóloga que prestou serviço em Odemira garante que "caso existam gravações ou fotografias, as mesmas foram obtidas de forma ilícita, pelo que, em sede própria, serão os seus agentes responsabilizados".

Queixa de uma mãe
De acordo com a informação prestada ao CM pelo Ministério da Educação, foi a queixa de uma encarregada de educação que levou à instauração do processo disciplinar pela direção do Agrupamento de Escolas de Odemira.

Tutela só agora soube
O Ministério da Educação só foi informado da instauração do processo disciplinar recentemente, como noticiou esta terça-feira o CM, através dos serviços regionais da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares.

Problemas técnicos
"As câmaras dos portáteis tinham muitas vezes problemas técnicos, o que implicava uma nova instalação daquelas com todos os passos que lhes eram exigidos", explica o advogado da psicóloga escolar.

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