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Correio da Manhã

Sociedade
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Queixa em Tribunal contra o Ministério

Uma queixa junto do Ministério Público do Tribunal de Peso da Régua contra o Ministério da Saúde e uma exposição enviada ao gabinete da ministra Ana Jorge são as formas de protesto dos familiares das três pessoas falecidas por alegada falta de assistência, no espaço de dez dias, no concelho de Peso da Régua. Estão a recolher elementos sobre as ocorrências, tendo ainda na mira o INEM e o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, responsáveis pelo que dizem ser procedimentos "lesivos".
21 de Abril de 2008 às 00:30
Até os Bombeiros de Peso da Régua apontam o dedo ao funcionamento de viaturas de socorro
Até os Bombeiros de Peso da Régua apontam o dedo ao funcionamento de viaturas de socorro FOTO: direitos reservados

No documento deverá constar a posição do comandante dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua, António Fonseca, particularmente crítico por a "viatura de SIV [suporte imediato de vida] estacionada junto ao Hospital D. Luís I estar só em funcionamento das 20h00 às 08h00, "quando durante o dia a sua utilidade seria relevante".

António Gonçalves, marido de Maria Conceição Gonçalves, que morreu na quinta-feira, fala a uma só voz dos três casos. "Quando se nota que os nossos entes queridos não recebem cuidados a tempo e horas, e porventura morrem por causa disto, é evidente que a mágoa e a revolta não desaparecem. Daí, em conjunto com os familiares e amigos dos outros falecidos [Manuel Ferreira de Loureiro e Álvaro Monteiro, de Canelas doDouro], pretendemos avançar com uma queixa junto do Ministério Público contra o Ministério da Saúde. Em causa não estão os profissionais, mas sim o sistema", disse ao CM. "Também não aceitamos como é que uma viatura destinada a servir o concelho se perca numa freguesia situada a dez quilómetros do seu local de origem e fique um idoso sem assistência. Por outro lado, e no meu caso, que vejo da minha janela o hospital, tenha de esperar que de Vila Real venha a VMER [viatura médica de emergência e reanimação] prestar assistência, que no meu caso nem houve devido a doença do próprio médico da viatura! De quem é a responsabilidade?"

ATRASOS EM SITUAÇÕES DE EMERGÊNCIA

DISTÂNCIAS

Nos três casos diferem as distâncias a que estavam os meios de socorro. No caso de Canelas do Douro [Álvaro Monteiro], a ambulância SIV estava a cerca de dez quilómetros e dez minutos de caminho. Quase duas horas depois é que chegou o apoio ao doente.

À ESPERA

A VMER de Vila Real demorou cerca de meia hora a cumprir os 25 quilómetros entre o hospital e o Túnel da Régua, à entrada do qual estava à espera uma ambulância dos Bombeiros do Peso da Régua. Manuel Ferreira acabaria por falecer antes da chegada.

TÚNEL

O facto de o troço da A24 entre o Túnel da Rapada e a saída da Régua, numa distância de seis quilómetros, não ter pontos de passagem entre as duas vias fez demorar o socorro. Isto obrigou a VMER a ter de ir em direcção a Peso da Régua, perdendo-se minutos preciosos

 

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