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Correio da Manhã

Sociedade
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Quercus alerta para o perigo das mini hídricas no Rio Paiva

O vice-presidente da Quercus, João Branco, alertou hoje em Castro Daire para a necessidade de impedir a construção de mini hídricas no Rio Paiva alegando que "são responsáveis pela destruição de habitats naturais essenciais".
26 de Maio de 2012 às 11:45

O alerta foi lançado durante a apresentação de dois projectos integrados no Programa Life, da União Europeia, o "Ecótono - Gestão de habitats ripícolas para a conservação de invertebrados ameaçados" e o "Higro - Conservação de habitats de montanha", com sítios localizados no concelho de Castro Daire e geridos em colaboração com a autarquia.

O Rio Paiva, como explicou João Branco, tem, nas suas margens, alguns habitats de grande importância para a conservação da natureza, nomeadamente os ripícolas, constituídos por espécies como os amieiros, choupos ou ulmeiros, onde diversos invertebrados ameaçados têm populações essenciais.

"O perigo associado às mini hídricas passa essencialmente pela alteração do meio, com o rio a deixar de ser um elemento vivo, com água corrente, para passar a ser um conjunto de lagos" com implicações na fauna e flora, mas também com "impacto económico" relevante como é a prática de desportos de natureza.

Nos últimos anos foram construídas mini hídricas no Paiva, sempre sob protestos populares e das associações ambientalistas, como foi o caso da de Fráguas, em Vila Nova de Paiva, ou em Arouca.

O Rio Paiva, que nasce na Serra de Leomil (Moimenta da Beira) e desagua no Douro, tem em Castro Daire um dos mais importantes troços no que diz respeito aos habitats propícios aos invertebrados visados no projecto Ecótono, que hoje foi visitado por um grupo de ambientalistas, sendo o outro na Costa Sudoeste, Ribeira do Torgal.

Castro Daire é ainda espaço geográfico para o Programa Higro, que visa os habitats de montanha, que, além da Serra de Montemuro, tem ainda sítios monitorizados nas serras de Arga e Alvão.

Este projecto, que foi igualmente visitado, visa a conservação e a restauração de áreas de urzais-tojais higrófilos e dos cervunais-higrófilos, arbustos de montanha ou de charnecas húmidas, e a sua importância passa por facilitar a diversidade biológica com enfoque em populações de invertebrados ameaçados e plantas vasculares raras.

O objectivo do projeto Higro é proporcionar o equilíbrio ecológico, aumentando as áreas destes habitats, com controlo selectivo de espécies, sendo estes considerados ainda essenciais para a restauração da hidrologia natural ou para actividades económicas ligadas ao pastoreio, como se pode ler na documentação de suporte.

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