Executivo espanhol aprovou criação de armazém de resíduos nucleares.
A associação ambientalista Quercus defendeu esta quinta-feira que o Governo português deve remeter imediatamente para Bruxelas o assunto da construção do aterro de resíduos nucleares na central de Almaraz, projeto que já tem luz verde do Governo espanhol.
"É uma notícia que apesar de ser esperada não deixa de ser dececionante. Neste momento, é a altura certa para que o Governo português tome uma medida corajosa e que remeta imediatamente o assunto para Bruxelas com um forte protesto por tudo o que se passou", afirmou Nuno Sequeira, da Quercus, à agência Lusa.
O Governo espanhol deu luz verde à construção do armazém para resíduos nucleares na central de Almaraz, através de uma resolução da Direção-Geral de Política Energética e Minas do Ministério da Energia.
De acordo com o Boletim Oficial do Estado (BOE), divulgado na quarta-feira, que reporta a resolução de 14 de dezembro de 2016, da Direção-Geral de Política Energética e Minas, "autoriza a execução e montagem da modificação do desenho correspondente ao Armazém Temporário Individualizado da Central Nuclear Almaraz, Unidades I e II".
"Infelizmente, estávamos totalmente à espera que acontecesse esta autorização por parte do Governo espanhol depois de em setembro, o Conselho de Segurança Nuclear (CSN) já ter dado o parecer favorável à construção do armazém temporário individualizado (ATI) junto à central de Almaraz", sustentou.
O ambientalista explica que aguardava-se que o resultado das eleições em Espanha pudesse trazer um governo que não desse seguimento à construção do ATI: "Como acabámos por ter o PP novamente no Governo e tendo conhecimento das posições pró-Almaraz, infelizmente não é uma decisão que nos surpreenda".
Nuno Sequeira entende que "é lamentável," que Portugal tenha sido mais uma vez, "totalmente ignorado nesta decisão".
"Achamos lamentável que o Governo português, tenha de certo modo, ignorado e dado pouca atenção a este assunto, uma vez que teria tido tempo, desde setembro (quando o CSN deu parecer favorável à construção do ATI) até agora, de exercer maior pressão", sustentou.
Contudo, sublinha que atualmente parece que o Governo português está mais mobilizado para intervir em prol dos interesses nacionais, mas adianta que o mesmo não se passou há alguns meses atrás.
"Parece que o Governo [português] acordou um pouco tarde para o problema e também fruto disso, a decisão [do Governo espanhol] neste momento, é algo que parece caminhar para uma forma irreversível", frisou.
O responsável da Quercus adianta ainda que por trás da decisão espanhola, está uma "forte pressão" do consórcio que explora Almaraz que após a construção do ATI, "pode ter um grande argumento para adiar o final de vida da central, previsto para 2020, e estendê-lo por mais 10 ou 20 anos".
"O ministro do Ambiente que diga de uma vez por todas que a central não interessa a Portugal e que seja encerrada em 2020. Foi isto que ainda não ouvimos o Governo dizer. Está mais do que visto que todos os pedidos de audiência e conversações que decorreram não surtiram o mínimo efeito. Houve aqui uma clara falta de respeito do Governo espanhol para o Governo português", concluiu.
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