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Correio da Manhã

Sociedade
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Rastreio a cancro do colo do útero

De todos os tumores malignos, o cancro do colo do útero é aquele que pode ser controlado com maior efectividade através de programas organizados de rastreio citológico. A mortalidade pode diminuir até 80 por cento. A Administração Regional de Saúde do Algarve (ARS-A) vai iniciar em Setembro um rastreio sistemático desta patologia, que tem na região uma expressão maior do que no resto do País .
18 de Maio de 2009 às 00:30
Vacina do cancro do colo do útero aplica-se na região desde Outubro de 2008. Cobre 4 dos mais de 200 tipos de HPV. O rastreio por citologia permite detectar a doença ainda em fase pré-cancerígena.
Vacina do cancro do colo do útero aplica-se na região desde Outubro de 2008. Cobre 4 dos mais de 200 tipos de HPV. O rastreio por citologia permite detectar a doença ainda em fase pré-cancerígena. FOTO: Gisela Caridade

O problema da elevada incidência e mortalidade do cancro do colo do útero na região e no País (ver caixa) é "um défice de rastreio". Gabriela Bastos, ginecologista no Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio (CHBA), acredita mesmo que esta doença possa ser "erradicada" com um programa sistemático de despiste, "porque podemos detectá-la ainda na fase de lesões pré-cancerosas", que são curáveis.

A vacina deve ser aplicada a mulheres antes do início da vida sexual – dado que a doença está associada à vida sexual – e está aconselhada pelo Plano Nacional de Vacinação a adolescentes a partir dos 13 anos. Mas não chega, porque "não evita todos os tipos de vírus" do papiloma humano (HPV), sublinha Gabriela Bastos.

O Plano Nacional de Prevenção e Controlo das Doenças Oncológicas 2007/2010 reconhece a necessidade de rastreios organizados ao cancro do colo do útero, que já são feitos há duas décadas no resto da Europa. A Comissão Europeia publicou em 2008 a 2ª edição das orientações para esses rastreios. Em Portugal são feitos em Coimbra, Évora (desde 2008) e agora no Algarve.

A ARS-A lançou no início do ano os concursos para aquisição de material para citologias de meio líquido e sistemas de informação para suportar o rastreio a ter início em Setembro. Vão ser chamadas todas as 134 mil mulheres, entre os 25 e os 64 anos, inscritas nos Centro de Saúde da região, confirmou ao CM Francisco Mendonça, responsável pelo Departamento de Saúde Pública da ARS-A.

O rastreio é gratuito para a utente, mas custa 450 mil euros/ano à ARS-A. As análises às amostras são feitas no CHBA, em Portimão.

54 CASOS MORTAIS REGISTADO EM TRÊS ANOS

Entre 2002 e 2005 foi diagnosticado cancro no colo do útero a 156 mulheres e ocorreram 54 mortes no Algarve devido à doença. Nesse período, a região apresentou uma taxa de mortalidade de 6,8 óbitos por cem mil habitantes. A taxa nacional foi de 3,9/100 mil. A taxa de incidência nacional actual é de 13,5/100 mil, a mais alta da Europa. O Algarve tem uma taxa de 15/100 mil. Os números podem ser explicados por práticas sexuais mais activas e promíscuas na região turística. Os rastreios eram oportunísticos, no planeamento familiar.

APONTAMENTOS

MAMA

O cancro da mama é a primeira causa de morte das mulheres entre os 35 e 55 anos. O diagnóstico precoce aumenta a taxa de sobrevivência. O rastreio organizado a esta doença no Algarve começou em 2005 e detectou 337 casos até 2007.

CÓLON E RECTO

O rastreio do cancro do cólon e do recto está a ser implementado na região Centro. Faz-se no Sotavento algarvio há cinco anos e deverá expandir-se ao Barlavento.

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