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Correio da Manhã

Sociedade
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Rastreios falham prazos

Os objectivos traçados no Plano Nacional de Prevenção e Controle das Doenças Oncológicas não vão ser cumpridos até final de 2010, de acordo com os dados ontem divulgados na Comissão Parlamentar da Saúde, na Assembleia da República, pela alta-comissária da Saúde, Maria do Céu Machado.
6 de Janeiro de 2010 às 00:30
Pedro Pimentel e a alta-comissária da Saúde, Maria do Céu Machado
Pedro Pimentel e a alta-comissária da Saúde, Maria do Céu Machado FOTO: Sérgio Lemos

Para este ano serão também postos em marcha os requisitos para a prestação de cuidados em oncologia. Cada hospital terá de, no mínimo, tratar 250 doentes por ano. Não está afastada a possibilidade de fecharem alguns dos 55 hospitais de oncologia.

Pedro Pimentel, coordenador nacional para as doenças oncológicas, fez saber aos deputados que no rastreio ao cancro da mama, 2009 terminou com uma taxa de cobertura de 45% para os concelhos da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, de 20% na de Lisboa e Vale do Tejo e de 90% no Alentejo. Nas ARS do Centro e Algarve o ano terminou com uma taxa de cobertura total, que só em 2011 está previsto ser alargada a todo o País.

A percentagem de concelhos cobertos pelo rastreio do cancro do colo do útero é ainda mais reduzida. Em 2009 ficaram cobertos 20% dos concelhos do Norte, 5% dos de Lisboa e Vale do Tejo, 30% do Algarve e 90% do Alentejo. A cobertura total só foi alcançada no Centro. O rastreio em todo o País só será possível em 2011.

No rastreio do cancro do cólon e recto só é possível obter dados das regiões Norte e Centro, sendo que, em 2009, a taxa de cobertura no Centro era de 30% e no Norte de 0%. Só em 2011 estas duas regiões ficarão totalmente cobertas. Às dificuldades de concretização destes três rastreios junta-se a falta de profissionais de saúde. Pedro Pimentel anunciou que para "combater o deficit acentuado de médicos" a meta para este ano é contratar 2 internos de oncologia médica e 15 de radioterapia. João Semedo, deputado do Bloco de Esquerda, acrescentou que o plano falha também na criação de centros de radiologia. Faltam criar 38.

APONTAMENTOS

FECHO CABE A ARS

A decisão de fechar hospitais de oncologia caberá às Administrações Regionais de Saúde. O coordenador nacional de doenças oncológicas recomenda que cada unidade deverá ter um volume mínimo de 500 novos casos por ano.

600 EM RADIOTERAPIA

As unidades de oncologia terão também de ter um mínimo de 600 doentes em radioterapia. Um falha hoje existente a ser colmatada é a de permanência de médicos de oncologia.

SUL SEM NÍVEL 1

Pedro Pimentel referiu que não está definido se as Administrações Regionais de Saúde do Algarve ou Alentejo terão um centro oncológico de nível 1. Para tal é necessário um volume mínimo de dois mil novos casos oncológicos por ano.

40 MIL CASOS POR ANO

Por ano há cerca de 40 mil novos casos de cancro. As cirurgias subiram de 29 727, em 2006, para 39 548, em 2008. Tempo de espera baixou de 17 para dez dias.

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