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Correio da Manhã

Sociedade
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Recorde de promessas em Fátima

As promessas dos peregrinos a Nossa Senhora de Fátima bateram todos os recordes nesta peregrinação de 12 e 13 de Maio ao Santuário, tendo em conta a compra e queima de velas, que ontem quadruplicou, em comparação com os anos anteriores.

13 de Maio de 2012 às 01:00
Chegada de grupo de Fernão Ferro
Chegada de grupo de Fernão Ferro FOTO: Rui Miguel Pedrosa

"Nunca houve ano algum, nem com a vinda dos Papas, com um consumo de velas tão elevado", disse ontem o padre Cristiano Saraiva, administrador do Santuário de Fátima, adiantando que até às 21h00 foram queimadas 19 toneladas de cera.

Por norma, o consumo de velas na manhã do primeiro dia da peregrinação de Maio é de duas toneladas, para um total de dez toneladas nos dois dias. A fila para colocar velas a arder tinha mais de uma centena de metros, apesar dos peregrinos serem rápidos, devido ao calor no local. Sete funcionários do Santuário asseguraram o serviço de abastecimento de velas e a manutenção do tocheiro.

A vela é "um símbolo da luz" e a sua oferta a Nossa Senhora é uma "manifestação de fé e de pagamento de promessas", explicou Cristiano Saraiva, defendendo que "os peregrinos vêm com a sua devoção apresentar-se diante de Nossa Senhora de Fátima, fazendo as suas orações e pedidos". O tocheiro foi reformulado em 2005 e a recolha da cera derretida é feita de forma automatizada, com mais segurança e menos poluição. A cera derretida é colocada em nove pequenas calhas e encaminhada para uma caleira. É depois colocada em dois depósitos, para ser reciclada e reutilizada no fabrico de novas velas.

O cumprimento de promessas de joelhos, na passadeira em pedra, com início no recinto e envolvendo a Capelinha das Aparições, também registou muita procura. Alguns peregrinos tiveram de fazer várias paragens.

Por ser fim-de-semana, os peregrinos anteciparam a sua chegada à Cova da Iria e de manhã já havia parques de estacionamento lotados, sobretudo a norte, e o movimento de pessoas nas ruas era muito elevado.

"Esta peregrinação é particularmente concorrida por ser fim-de-semana", disse o reitor do Santuário, padre Carlos Cabecinhas, adiantando que houve também um "aumento significativo de peregrinos a pé".

A peregrinação termina hoje de manhã, com a missa solene final e a Procissão do Adeus.


ATÉ CASAS HÁ EM CERA

Além de velas, há outros objectos de cera que os peregrinos oferecem em promessas, como partes do corpo humano, animais e até casas, que se encontram à venda em lojas próximas do Santuário. Cada casa custa entre 3,50 e cinco euros, e a sua procura tem aumentado nos últimos meses, devido à crise e à dificuldade das famílias de cumprirem compromissos.

"As casas de cera têm muita procura," diz Lurdes Cruz, funcionária de uma loja na praceta São José, adiantando que "são oferecidas a Nossa Senhora por pessoas que acabaram de comprar casa e aproveitam para lhe pedir uma ajuda divina, acreditando que dessa forma irão ter sempre condições para pagarem as suas prestações".

"APURAR GOSTO ESPIRITUAL"

O bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, apelou ontem aos fiéis, na abertura da peregrinação, para apurarem "o gosto espiritual", desafiando-os a fazerem uma "viagem santa na fé e na esperança, em ordem a uma renovação interior". Momentos antes, aos jornalistas, disse que, "no meio desta crise, que põe a nu a vulnerabilidade da Europa na sua coesão social", a mensagem de Fátima "mostra que não bastam as leis do mercado".

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