"O assunto está a ser acompanhado com toda a atenção", referiu a presidente da Entidade Reguladora da Saúde.
A presidente da Entidade Reguladora da Saúde (ERS) afirmou esta quarta-feira no parlamento que a entidade não recebeu qualquer queixa, reclamação ou denúncia sobre os tratamentos e deslocações de doentes oncológicos do Algarve a Sevilha, em Espanha.
"Não temos indicação, pelo menos não me chegou ao conhecimento, de nenhuma situação com doentes concretos em que tivesse havido problemas que levassem à necessidade de intervenção casuística por parte da ERS", afirmou Sofia Nogueira da Silva, que falava aos deputados na comissão parlamentar da Saúde.
A presidente do conselho de administração daquela entidade e o conselho de administração do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) foram ouvidos esta quarta-feira no parlamento, em audições separadas, a pedido do PSD, sobre o concurso público internacional que motivou a deslocação a Sevilha dos doentes oncológicos do Algarve para tratamentos de radioterapia.
Sofia Nogueira da Silva disse aos deputados que "o assunto está a ser acompanhado com toda a atenção" e que a entidade ainda aguarda informações do CHUA e da direção executiva do Serviço Nacional de Saúde, sendo que o processo se encontra "ainda protegido por sigilo".
"Aguardamos ainda informações, mas iremos analisar todas as peças processuais do concurso público e do contrato de prestação de serviço entre o CHUA e a entidade médica espanhola, vencedora do concurso", garantiu a responsável.
A dirigente recordou aos parlamentares que a ERS "só pode intervir se houver uma indicação de violação da lei ou de constrangimento dos direitos aos utentes", sublinhando que, até ao momento, a entidade não recebeu "qualquer reclamação sobre o assunto".
A responsável disse ainda que pelo facto de o serviço ser prestado em Espanha, "há restrições ao nível da intervenção da ERS, nomeadamente na forma preventiva, fiscalizações a todo o momento para confirmar no local se tudo está a correr normalmente e intervir diretamente sobre a empresa espanhola, no caso de haver indícios de falhas de qualidade".
"A ERS só pode intervir junto do CHUA caso existam indícios de falhas de qualidade ou segurança, na medida que o CHUA é regulado por nós", destacou.
Recordando aos deputados que compete ao CHUA assegurar aos seus utentes o acesso aos cuidados de saúde em tempo útil, com qualidade e segurança, a responsável da ERS indicou que, nos termos do contrato, a entidade espanhola "assume obrigações apertadas quanto aos prazos para a prestação de cuidados de saúde e está sujeita aos termos definidos em Portugal".
"É claro que poderá haver violações nos termos de tempos de espera, como poderá haver no âmbito do Serviço Nacional de Saúde, no circuito tradicional e, nesse, caso competirá à ERS intervir, mas isso está salvaguardado em termos contratuais", notou.
Sofia Nogueira da Silva adiantou que a responsabilidade dos serviços prestados pela empresa espanhola a quem foram adjudicados os tratamentos de radioterapia "está, ao que parece, salvaguardada em termos contratuais, nomeadamente no acesso, transporte e garantia da qualidade dos serviços prestados, mediante prescrição dos médicos especialistas do CHUA".
"Em termos de acesso, não estamos tranquilos, porque nunca estamos, mas não temos ainda nenhuma indicação de que esteja a haver violações dos direitos dos utentes", sublinhou.
A responsável acrescentou que a entidade "percebeu até ao momento que todo o processo, pré e pós tratamento, decorre no CHUA e, portanto, todos os procedimentos do SNS têm de ser cumpridos e, aparentemente, esta questão estará também salvaguardada".
Questionada pelo deputado social-democrata Rui Cristina sobre o problema da língua [espanhola] com que são confrontados os doentes, Sofia Nogueira da Silva explicou que "o que está previsto é que o atendimento seja feito em português e não haverá uma dificuldade em termos de comunicação".
"Está também assegurada a tradução [para português] num prazo máximo de 24 horas de todos os relatórios clínicos que são enviados para o CHUA para continuidade dos cuidados", apontou.
A este respeito, a presidente do conselho de administração do CHUA, Ana Varges Gomes, garantiu também aos deputados que os utentes "são atendidos em Espanha devidamente acompanhados por um tradutor oficial credenciado, não se tendo também verificado quaisquer problemas com os relatórios".
Em resposta aos deputados Rui Cristina (PSD), Jorge Botelho (PS) e Rita Matias (Chega) sobre a distância e duração do transporte entre o Algarve e Sevilha, a responsável da ERS referiu que "é uma questão que preocupa a todos".
"É evidente que todos nós queremos proximidade, ninguém questiona que seria melhor termos todos os serviços de saúde no quarteirão ao lado de nossa casa. É algo que devemos valorizar e, na medida do possível, ser assegurado. Mas uma viagem a Lisboa não é muito diferente de uma a Sevilha em quilómetros e não é uma situação inédita em Portugal", apontou.
Por seu lado, a presidente do conselho de administração do CHUA assumiu aos deputados que "a responsabilidade dos tratamentos é do centro hospitalar do Algarve, entidade que os prescreve, respondendo perante a ERS, uma vez que o regulador português não pode intervir em Espanha".
Ana Varges Gomes reafirmou aos deputados da comissão parlamentar de Saúde que a adjudicação dos tratamentos de radioterapia ao grupo médico espanhol foi feito no âmbito de um concurso público internacional "com total transparência e sem que o mesmo fosse contestado até ao momento".
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.