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Correio da Manhã

Sociedade
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Reitor da Católica defende aumento de propinas (COM VÍDEO)

O reitor da Universidade Católica Portuguesa (UCP), Manuel Braga da Cruz, apelou ontem à "revisão do sistema de financiamento" do ensino superior, defendendo um aumento das propinas a pagar pelas famílias e um financiamento estatal baseado na qualidade e não em "critérios quantitativos".

4 de Fevereiro de 2012 às 01:00
Reitor Braga da Cruz
Reitor Braga da Cruz FOTO: Vítor Mota

No discurso da celebração do Dia da UCP, que completa 45 anos, e na presença do secretário de Estado do Ensino Superior, João Queiró, o reitor defendeu que "a sociedade, as empresas, as famílias, e os estudantes têm responsabilidades inalienáveis" e não podem empurrar "para as costas do Estado a obrigação quase exclusiva de financiar a universidade".

Confrontado pelos jornalistas, João Queiró escusou-se a comentar o tema do financiamento do ensino superior.

No seu discurso, Braga da Cruz considerou que a actual lei, "ao sustentar a quase gratuitidade da frequência do ensino superior" gera uma "insustentável injustiça social, como seja a de colocar os impostos dos menos favorecidos da sociedade ao serviço da formação superior dos mais favorecidos".

O reitor defendeu que o actual modelo de financiamento é insustentável e "discrimina pela negativa" as universidades privadas, dando como bom exemplo o Reino Unido, que aplicou um "corajoso aumento de propinas para o nível do custo real" e prepara-se para aplicar um sistema de "financiamento pela qualidade de todas as instituições, independentemente da sua natureza pública ou privada".

Para Braga da Cruz, "o Estado não pode continuar a discriminar os estudantes portugueses" que escolhem universidade privadas" e por isso não têm direito a bolsas. E criticou que esse apoio "seja negado a portugueses, por frequentarem o ensino não estatal, para ser dado a estudantes estrangeiros, apenas por frequentarem universidades estatais".

O reitor admite que as mudanças que defende "são difíceis" e propõe "alterações graduais", a começar pelo "alargamento dum sistema de bolsas de mérito ao ensino não estatal, que permite aos melhores alunos optarem livremente pelas instituições onde pretendem estudar".

Refira-se que no actual sistema de financiamento, a maioria das universidades públicas cobra aos alunos a propina máxima de cerca de 1000 euros por ano, atribuindo depois o Estado bolsas aos estudantes mais carenciados .

O Cardeal-Patriarca, D. José Policarpo, Magno Chanceler da UCP, encerrou a cerimónia com um discurso em que advogou que o Mundo não vive uma crise pontual mas sim "uma viragem civilizacional", tendo as universidades um papel decisivo. "A sabedoria é um ideal de vida humano, uma utopia da perfeição", afirmou, sublinhando que "a porta do futuro é larga".

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