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Correio da Manhã

Sociedade
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Risco de radiações atrasa licença no IPO de Lisboa

Aparelho visa o tratamento de 450 doentes com cancro.
João Saramago 7 de Fevereiro de 2020 às 08:36
IPO Lisboa deu entrada ao pedido de licença há oito meses para o funcionamento de um acelerador linear
IPO Lisboa deu entrada ao pedido de licença há oito meses para o funcionamento de um acelerador linear FOTO: Estela Silva/Lusa
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) avançou esta quinta-feira que está na reta final o processo de avaliação da segurança de um aparelho de radioterapia adquirido pelo Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, por quatro milhões de euros, e sobre o qual foi pedida a licença de funcionamento há oito meses. O aparelho visa o tratamento de cerca de 450 doentes.

Dois meses depois de efetuado o pedido de licenciamento, a Agência Portuguesa do Ambiente pediu esclarecimentos adicionais ao IPO. A resposta do instituto referente às insuficiências detetadas foi dada há três semanas.

Segundo a APA, "uma vez concluída satisfatoriamente a instrução do processo, e após aceitação do requerente das condições da licença, esta agência encontrar-se-á em condições de emitir a licença no prazo de uma semana".

Lembra ainda a APA que esta é "uma licença que tem por base uma avaliação de segurança dos procedimentos a realizar, com enfoque na necessária demonstração pelo requerente de que consegue assegurar a proteção dos pacientes, dos profissionais e do público". Os aparelhos de radioterapia implicam a utilização de radiação ionizante, que encerra riscos para a saúde.

A entrada em funcionamento de um aparelho deste tipo não é inédito no IPO Lisboa. "Além do Serviço de Radioterapia, fazem-se exames e tratamentos com radiação ionizante nos serviços de Medicina Nuclear e também em Radiologia", divulgou o IPO.

A existência destas três unidades leva a que o IPO Lisboa possua uma Unidade Técnica de Proteção e Segurança contra Radiações Ionizantes. A unidade trabalha os aspetos relacionados com a proteção dos trabalhadores, doentes e público em matéria de radiações. Um trabalho que é realizado por três físicos hospitalares e um médico do serviço de saúde e segurança no trabalho.

Instituto sem capacidade para todos
A entrada em funcionamento do sétimo aparelho não garante a total capacidade de resposta do IPO de Lisboa para todos os doentes. O novo aparelho permitirá ter mais 450 doentes, divulgou o instituto. Mas mesmo assim, há mais cerca de mil que continuarão a ser encaminhados para o privado. A resposta no privado representa um custo de dois milhões de euros.
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