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Correio da Manhã

Sociedade
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Robôs evitam erros

São robôs, mas reagem como qualquer ser humano quando tem um problema grave de saúde: sangram, respondem a medicamentos e têm até batimento cardíaco. Os modelos robotizados do primeiro Centro de Simulação Biomédica do País, ontem inaugurado nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), vão treinar clínicos e equipas, ajudando a prevenir erros médicos.
9 de Dezembro de 2008 às 00:30
Os robôs podem simular uma vítima de acidente rodoviário ou de um ataque cardíaco
Os robôs podem simular uma vítima de acidente rodoviário ou de um ataque cardíaco FOTO: Ricardo Almeida

A nova unidade destina-se a profissionais de Medicina, Cirurgia e Enfermagem, mas também a estudantes das áreas da Saúde. "É um centro de excelência de ensino e de treino", afirmou José Martins Nunes, responsável pela unidade e director do serviço de anestesiologia dos HUC. "Foca-se em situações críticas, de emergência, mas também em casos raros, recriando situações que os profissionais não enfrentam todos os dias", explicou.

Dispondo de equipamento tecnológico de ponta, o simulador representa um investimento de 700 mil euros, totalmente cobertos por mecenato e doações. Os robôs, de origem americana e europeia, são de "alta fidelidade" e "reproduzem quase na totalidade a fisionomia e o comportamento humanos", adiantou Martins Nunes.

É possível simular o comportamento de uma vítima de acidente rodoviário ou de um ataque cardíaco, seja adulto ou criança. Há também um modelo que reproduz as reacções de uma mulher grávida e outro de um bebé prematuro. Com quatro salas, onde o ambiente hospitalar é recriado, o centro tem ainda uma área específica para treinos de gestos clínicos e de cuidados intensivos e de enfermagem. Depois da simulação, as equipas podem, na sala de reuniões, visualizar o treino que é filmado para análise.

"Aqui pode-se errar e repetir até se fazer bem. Quanto mais treino houver, menos probabilidade existe de se cometer erros e melhores serão as condições para os nossos doentes", concluiu Martins Nunes.

DETALHES

MUNDIAL

No Mundo há dois mil centros de simulação biomédica, semelhantes ao dos HUC.

SUSTENTÁVEL

O Centro de Simulação Biomédica de Coimbra será auto--sustentável. Nos primeiros cinco anos o conselho de fundadores garante o seu financiamento e, além disso, a formação e a prestação de serviços são também fontes de receita.

MODELO

O HPS (Human Patient Simulator) é o simulador mais evoluído do Mundo. Custa 250 mil euros e foi o mais caro dos que o Centro de Simulação de Coimbra adquiriu.

CURSOS

Tem hoje início o primeiro curso de instrutores em simulação clínica. É ministrado por especialistas de Harvard e do MIT. O centro tem programadas mais 54 acções de formação.

 

 

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