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Correio da Manhã

Sociedade
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Saiba o que fazer se for picado por uma vespa asiática

Inseto chegou a Portugal em 2011, na zona de Viana do Castelo.
SÁBADO 1 de Outubro de 2019 às 20:02
Vespa asiática
Vespa asiática

A vespa asiática chegou a Portugal em 2011, na zona de Viana do Castelo. Deste então começou a expandir-se para o resto do país. Nas últimas semanas, as vespas foram identificadas na zona metropolitana de Lisboa – depois de obrigarem a encerrar os Jardins das Quintas das Conchas e dos Lilases, no final de agosto.

Mais recentemente a zona ocidental do Parque da Pena, em Sintra foi encerrada por avistamento de um ninho. O local vai reabrir na quinta-feira, depois de terem injetado o ninho com insecticida.

Algumas mortes também já foram associadas a estas vespas. Um homem de Guimarães morreu este fim-de-semana depois de ser picado por uma vespa, embora as causas da morte ainda não estarem confirmadas.

O que fazer se for picado?
Na maior parte dos casos a picada pode ser tratada em casa. De acordo com a CUF, estes são alguns cuidados que deve ter:

  1. Remova o ferrão da abelha ou parte do inseto que possa ainda estar cravado na pele;
  2. Lave o local da picada abundantemente com água fria;
  3. Se sentir dor, tome um analgésico, como o paracetamol ou iboprofeno. Siga sempre as indicações do folheto e tome a dose recomendada;
  4. Se tem comichão, aplique gelo ou uma pomada de venda-livre comprada na farmácia para aliviar o sintoma. Outra opção passa por tomar um anti-histamínico;
  5. Para reduzir o edema aplique gelo na lesão.

E se for alérgico?
Geralmente a picada da vespa provoca apenas uma reação local, com dor, comichão, vermelhidão e inchaço no local da picada. Nos casos de reação alérgica grave – anafilaxia – os sintomas surgem alguns minutos após a picada e têm vários graus de gravidade:

  • Reação cutânea - urticária, angiodema;
  • Sintomas digestivos - náuseas, vómitos, diarreia, dor abdominal;
  • Respiratórios - pieira, estridor, falta de ar;
  • Cardiovasculares – taquicardia, tonturas, confusão, sensação de desmaio;
  • Choque anafiláctico com paragem cardiorrespiratória.

Os doentes com historial de reações alérgicas devem ser portadores de um estojo de emergência com adrenalina para auto-administração. Devem também ir a um Centro de Imunoalergologia, para avaliação e eventual indicação para vacina anti-alergénica com extrato de veneno em ambiente hospitalar, afirma a CUF.

Como posso prevenir as picadas?
A CUF deu alguns conselhos para reduzir o risco de ser picado pela vespa.

  • Mantenha-se calmo e movimente-se devagar se vir as vespas. Não agite os braços, nem as enxote;
  • Cubra a pele exposta usando mangas compridas e calças nas alturas que as vespas são mais ativas – como o nascer e o pôr-do-sol;
  • Calce sapatos fechados quando estiver na rua;
  • Aplique repelente de insetos na pele exposta e por cima da roupa. Se utilizar também protetor solar, faça-o antes de aplicar o repelente;
  • Tenha cuidado quando estiver perto de flores, lixos, águas estagnadas ou em zonas exteriores com comida;
  • Nunca perturbe os ninhos;
  • Evite acampar perto de zonas com água parada, como lagos e pântanos;
  • Mantenha os alimentos e bebidas tapadas enquanto estiver a consumi-los ao ar livre;
  • Em zonas de risco, mantenha as portas e janelas da casa e do carro fechadas, sobretudo no final do dia, ou coloque uma rede mosquiteira para prevenir a entrada de insetos.

Quando é que chegaram a Portugal?
As vespas apareceram pela primeira vez na Europa no território francês em 2004. Seis anos depois a sua presença foi confirmada em Espanha. Em 2011 apareceu em Portugal e na Bélgica, e no final de 2012 chegou à Itália. Também já está na Alemanha e no Reino Unido.

Em Portugal, foi pela primeira vez identificada em Viana do Castelo. Durante alguns anos ficou no norte do país, mas estão a encontrar condições atmosféricas mais adequadas a sul. De acordo com o Plano de Ação para a Vigilância e Controlo da Vespa velutina em Portugal, criado em 2018, os distritos com mais casos são: Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real, Aveiro, Coimbra e Viseu.

Vieram de onde?
Segundo o Plano de Ação para a Vigilância e Controlo da Vespa velutina em Portugal, a vespa velutina é uma espécie de origem asiática. A sua área de distribuição natural estende-se pelas regiões tropicais e subtropicais do norte da Índia até ao leste da China, Indochina e o arquipélago da Indonésia. Estão normalmente em zonas montanhosas e mais frescas, pelo que pode estar adaptada para explorar ambientes temperados.

A subespécie que foi introduzida na Europa é a vespa velutina nigrithorax, também chamada de vespa de patas amarelas. Esta subespécie vive no norte da Índia – Darjeeling, Sikkim - no Butão, na China e nas montanhas de Sumatra e Sulawesi, na Indonésia. Fora da sua área de distribuição natural, a vespa foi encontrada na Coreia do Sul em 2003, onde também se estabeleceu e se tornou uma espécie invasora.

Como a identifico?
O inseto tem grandes dimensões, a cabeça é preta com face laranja ou amarelada. O corpo é castanho-escuro ou preto, aveludado, com uma faixa fina amarela. As asas são escuras e as patas castanhas com as extremidades amarelas. O tamanho varia de acordo com o alimento, o lugar e a temperatura, sendo que é uma das maiores espécies de vespas. A rainha pode ter até 3,5 centímetros.

Qual o impacto da espécie?
A presença da vespa representa um risco sob diferentes pontos de vista:

  • Apicultura – o efeito sobre a população de abelhas é direto, pois há uma grande predação por parte das vespas. E indireto, pela diminuição das atividades das abelhas perante a presença da vespa - que se traduz num enfraquecimento e eventualmente morte da colmeia. As consequências são uma menor produção de mel e produtos relacionados, e uma diminuição vegetal dada a importância das abelhas nesta função biológica;
  • Produção agrícola – principalmente pelo efeito indireto da diminuição da atividade polinizadora das abelhas. Além disso, a produção frutícola pode ser afectada, ao serem estas espécies vegetais fontes de hidratos de carbono na dieta da vespa - existindo relatos de estragos em pomares e vinhas de regiões invadidas;
  • Bem-estar e a segurança dos cidadãos – embora não sejam individualmente agressivas para o ser humano, reagem de forma bastante agressiva às ameaças ao seu ninho. Além disso, o grande tamanho que os ninhos podem atingir em zonas urbanas, resulta num maior risco para os cidadãos;
  • Ambiente – é uma espécie não indígena, predadora natural das abelhas e de outros insetos, o que pode eventualmente originar impactos significativos na biodiversidade.

O que faço se vir um ninho?
De acordo com a Guarda Nacional Republicana (GNR), a deteção ou a suspeita de existência de ninhos de vespa deve ser comunicada através dos seguintes meios:

  • Contactar a GNR, através da linha SOS Ambiente e Território (808 200 520);
  • Inserção/georreferenciação online do ninho ou dos exemplares de vespa e preenchimento online de um formulário com informação sobre os mesmos, disponível no portal sosvespa.pt;
  • Preenchimento de um formulário e envio para Câmara Municipal da área onde ocorreu a observação;
  • Preenchimento de um formulário via Smartphone disponível no portal sosvespa.pt;
  • Pode solicitar a colaboração da junta de freguesia mais próxima do local de deteção/suspeita para preenchimento do formulário;
  • Deve sempre que possível anexar uma fotografia da vespa ou do ninho para possibilitar a identificação.
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