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Correio da Manhã

Sociedade
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Saiba que cuidados deve ter com a digestão antes de mergulhar no mar

Refeições ligeiras são aconselhadas .Não está provado que comer e ir à água seja perigoso.
Daniela Polónia 28 de Julho de 2019 às 09:46
Em águas mais frias é aconselhável que entre no mar de forma gradual
Praia
Tempo
Em águas mais frias é aconselhável que entre no mar de forma gradual
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Em águas mais frias é aconselhável que entre no mar de forma gradual
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Desde criança que ouvimos os nossos pais a repetirem que não devemos ir ao banho depois de comer porque nos vai parar a digestão. Contudo, não existe qualquer evidência científica que suporte a convicção de que há um aumento de complicações dentro de água após as refeições. Na verdade, a reposta é: "depende", afirma Eduardo Mendes, especialista em Medicina Geral e Familiar, do Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, em Lisboa.

Poderá haver uma paragem de digestão se fizer uma refeição pesada antes de ir ao mar. O risco é agravado se houver uma grande ingestão de bebidas alcoólicas. O processo de digestão exige um aumento do fluxo de sangue ao aparelho digestivo.

"Se a água estiver fria, como acontece com muita frequência nas nossas costas, um pouco menos no Algarve, o corpo vai precisar de aumentar o fluxo sanguíneo para a pele para poder manter a temperatura constante. Assim, diminui a quantidade de sangue necessária para a digestão", explica o médico. Isto pode originar vários sintomas, como é o caso de mal-estar, tonturas, enfartamento, sensação de peso no estômago e, por vezes, náuseas.

Para evitar este tipo de complicações, recomenda-se que na praia faça refeições ligeiras e que o consumo de bebidas alcoólicas seja reduzido ou inexistente. Sandes, ovos cozidos (garantido as devidas condições de refrigeração), fruta e iogurtes estão entre os alimentos aconselhados.

"É preciso ingerir muita água. A ocasional bola de Berlim ou os gelados, consumidos de modo fracionados e ao longo do dia, também não fazem correr qualquer risco a quem a seguir vá ao banho", defende Eduardo Mendes. É ainda aconselhável que em águas mais frias se entre de forma gradual.

CONSELHO DA SEMANA
Tente evitar os molhos na praia, assim como alimentos sensíveis à temperatura, como é o caso do fiambre, já que este tipo de produtos tende a estragar-se com o calor. As refeições devem ser preparadas no próprio dia para assegurar a melhor frescura e, de preferência, devem ser transportadas numa mala térmica ou geleira com placas congeladas. A água poderá ser colocada no congelador de véspera.

PRIMEIROS SOCORROS
Mantenha-se seguro dentro de água, e se vir alguém que possa estar a afogar-se, saiba como ajudar em segurança.

Tente o salvamento a partir de terra
Tente sempre o salvamento a partir de terra: chame a atenção da vítima e ajude-a a não entrar em pânico. Atire-lhe algo que flutue. Puxe a vítima para terra firme atirando uma corda ou algo que possibilite puxá-la.

Procure um médico com urgência
Tendo de entrar na água: não ultrapasse a zona onde tem pé – uma pessoa a afogar-se pode agarrá-lo em pânico e afogá-lo a si. Em todos os casos de pré-afogamento, procure aconselhamento médico urgente.

DISCURSO DIRETO
Eduardo Mendes, Medicina Geral e Familiar, Hospital Cruz Vermelha

"Bebidas frias não fazem mal"
CM: O que se deve fazer perante uma paragem de digestão dentro de água?

Eduardo Mendes – Deve pedir ajuda para regressar a terra e sentar-se ou deitar-se à sombra. Se os sintomas durarem mais de 15 ou 20 minutos, deve recorrer a um serviço de Urgência.
– Beber líquidos frios ou comer gelados durante a digestão é um risco?
– Aqui também o mito supera a realidade. Estes alimentos aumentam a temperatura ao serem ingeridos e ao percorrerem o sistema digestivo até ao estômago. Quando lá chegam estão quase à temperatura interna do nosso corpo.
Eduardo Mendes Familiar Lisboa Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa
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