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Correio da Manhã

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Santarém: Encostas em risco de derrocada não são monitorizadas

As encostas de Santarém que apresentam elevado risco de derrocada não são monitorizadas há mais de dois anos, à excepção da acompanhada pela Refer, afirmou esta segunda-feira o técnico do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) que acompanha o processo.
15 de Outubro de 2012 às 15:18
Técnico do Laboratório Nacional de Engenharia Civil afirma que última inspecção detalhada ao estado das encostas decorreu no final de 2009 e início de 2010
Técnico do Laboratório Nacional de Engenharia Civil afirma que última inspecção detalhada ao estado das encostas decorreu no final de 2009 e início de 2010 FOTO: d.r.

Numa sessão promovida pela Câmara de Santarém para "voltar a colocar na agenda a urgência de uma intervenção" nas encostas da cidade, Francisco Salgado afirmou que desde a extinção da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) nenhuma entidade assegurou os protocolos com o LNEC que permitiam um acompanhamento da evolução do estado das barreiras.

"Neste momento o LNEC desconhece o estado das barreiras. Por isso, recomendei que fosse feita uma actualização, um ponto de situação, sobre as situações actuais de estabilidade", disse Francisco Salgado à agência Lusa, no final da sessão.

Segundo Francisco Salgado, a última inspecção detalhada ao estado das encostas de Santarém decorreu durante três meses no final de 2009/início de 2010.

"Convinha, enquanto não forem feitas as obras previstas no Plano Global de Estabilização das Encostas de Santarém, que fosse feita novamente uma actualização, essa inspecção detalhada, para ver como estão as coisas neste momento", acrescentou.

O técnico do LNEC confirmou que a única encosta que está a ser monitorizada é a das Portas do Sol, que dá para a linha ferroviária do Norte, porque a Refer manteve os protocolos com o Laboratório.

 


Francisco Salgado considerou urgente que, após a inspecção, sejam feitas pequenas obras de manutenção que reduzam os riscos de derrocada já identificados no passado, frisando a importância da intervenção global prevista no plano e cujo projecto de execução a autarquia tem pronto desde 2010.

O técnico do LNEC identificou como de maior risco as encostas de Santa Margarida, cujos moradores foram retirados na sequência dos deslizamentos ocorridos em 2010, e do Bairro Falcão, cujas casas continuam habitadas apesar do perigo que representa a possibilidade de uma regressão da zona dos taludes.

Como aconteceu na encosta de Santa Margarida, também aqui as casas viradas para a ribeira de Alfange têm vindo a perder pátios e marquises, como mostraram as fotografias exibidas na apresentação de Francisco Salgado e a visita feita a seguir aos vátios locais em risco.

A Câmara Municipal de Santarém convidou para a acção que realizou esta segunda-feira os Ministérios da Administração Interna e da Economia, tendo o presidente em exercício, Ricardo Gonçalves, lamentado que nenhum se tenha feito sequer representar.


Apenas os deputados Nuno Serra (PSD), Idália Serrão (PS) e Margarida Netto (CDS-PP) compareceram e acompanharam a visita.

Ricardo Gonçalves assegurou que a autarquia não vai deixar o assunto cair em esquecimento, comprometendo-se a todos os meses reforçar o pedido formal de reunião já feito junto dos Ministérios da Administração Interna e da Economia.

Por outro lado, afirmou que, mesmo com a Lei dos Compromissos, a autarquia vai assumir os encargos dos protocolos com o LNEC, advertindo que se houver uma catástrofe em Santarém "o problema também ficará nas mãos do Governo".

O projecto de execução elaborado pela autarquia na sequência de um acordo assinado em 2004 com o Governo prevê uma intervenção acima dos 20 milhões de euros, a que se deveria associar a construção da variante da linha férrea, entretanto suspensa.

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