Barra Cofina

Correio da Manhã

Sociedade
9

Sem comida para a Ceia (COM VÍDEO)

Ao jantar fiz arroz e como só tinha um ovo, fiz mexido e deu para as pequenas comerem." As palavras são de Carla Carona, 34 anos, desempregada e mãe de três filhas, de 4, 12 e 14 anos.
24 de Dezembro de 2012 às 01:00
Carla tem três filhas menores e parcos recursos
Carla tem três filhas menores e parcos recursos FOTO: direitos reservados

Há dois meses, a família saiu da casa onde vivia, na Costa da Caparica (Almada), por não conseguir pagar renda. Carla levou as filhas para casa dos pais, no Pragal. A mulher era cozinheira e é nessa área que procura emprego, mas a tarefa não tem sido fácil. "Já procurei de tudo, não arranjo nada. Acho que o maior problema é não ter dentes, mas não tenho como pagar uma dentição nova. Não tive alternativa senão vir viver com os meus pais. As minhas filhas dormem com a minha irmã na mesma cama, e eu durmo no sofá da sala. É difícil, mas ao menos temos um tecto."

Na mesma casa vivem sete pessoas, três das quais com problemas de saúde. "O meu pai está reformado por invalidez e mal se levanta do sofá, a minha filha mais velha tem um desvio grave na coluna e deve ser operada em breve, e a do meio tem uma doença de pele, psoríase".

Carla gasta por mês 46,73 euros na farmácia (em tratamentos para a doença de pele da filha de 12 anos), dinheiro que por vezes não consegue arranjar. "Já cheguei muitas vezes à farmácia e voltei para trás porque não tinha a quantia exacta. E já houve situações em que não tinha dinheiro para os tratamentos."

Carla Carona, que é divorciada, recebe 365 euros pelas três filhas (200 de pensão de alimentos e 165 de abono), que adiciona à pensão de invalidez do pai (320 euros) e ao ordenado da mãe, que não ultrapassa os 200 euros. A renda são 52 euros. "Não chega para tudo. Já aconteceu não chegar para todos e eu dizer que estava sem fome ou que estava a fazer dieta, para elas [filhas] poderem comer descansadas."


Apesar de a situação ser complicada, a família conta com a ajuda de familiares e amigos. "Dão-nos roupa e comida, a dona de um café costuma dar os bolos que sobram e às vezes envia pão e leite para as meninas."

Nesta quadra natalícia, as dificuldades da família vão seguramente chegar à mesa. Carla não sabe se vai conseguir arranjar uma ceia de Natal decente. "Talvez as vizinhas me possam dar uma posta de bacalhau e umas couves só para poder proporcionar às minhas filhas um Natal digno."

METRO OFERECE ALMOÇO A 300

A associação Centro de Apoio ao Sem-Abrigo (CASA), com o apoio do Metropolitano de Lisboa, ofereceu ontem um almoço de Natal aos sem-abrigo. " Esperamos cerca de 300 pessoas. Fazemos este almoço para celebrar esta quadra. Os nossos voluntários vão servir sopa, salgados, bacalhau com broa, borrego e doces", explicou ao CM Jorge Correia, presidente da CASA. José Peixoto esteve presente com a mulher e o filho, de 17 meses: "O meu tio é voluntário aqui, e como sabe que estamos a passar dificuldades, avisou-nos que ia haver este almoço. Foi muito agradável, e estava tudo muito bom."

FAMÍLIA FOME CARÊNCIAS ALMADA METRO ALMOÇO SEM-ABRIGO
Ver comentários