Presidente da ANAV acredita que o "setor está preparado, as agências estão a trabalhar intensamente e o verão deverá confirmar a resiliência do turismo".
As associações do setor do turismo acreditam que o verão deste ano será "positivo", mas mais exigente, tendo em conta a evolução da atividade no mês de junho e o contexto de instabilidade e aumento de preços.
Em resposta à Lusa, por escrito, Cristina Siza Vieira, vice-presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), disse que a "'performance' deste mês antecipa um verão positivo, mas mais exigente", lembrando que "as reservas existem e estão em linha ou acima de 2025", mas "a confiança dos hoteleiros recuou", segundo os dados do último inquérito da entidade.
O presidente da Associação Nacional de Agências de Viagens (ANAV), Miguel Quintas, tem uma leitura semelhante, apontando um verão de 2026 "ligeiramente positivo, mas, acima de tudo, muito mais exigente".
"Há procura, há vontade de viajar e os indicadores de atividade turística em Portugal continuam a mostrar resiliência. No entanto, não será um verão de consumo automático; será um verão em que o preço, a segurança e a confiança vão pesar muito mais na decisão", destacou.
Para Cristina Siza Vieira isto significa que não se está "perante um cenário negativo, mas perante um verão que exigirá maior atenção à gestão de receita, aos custos, aos mercados emissores e à evolução do comportamento do consumidor".
Por sua vez, Pedro Costa Ferreira, presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), acredita que junho mostra "sinais positivos para o verão", com procura, intenção de viajar e mercado.
Mas, à imagem das restantes associações, apontou que "será um verão positivo, mas exigente".
"Não basta haver procura, é preciso capacidade de resposta, disponibilidade aérea, estabilidade operacional e preços que o mercado consiga absorver", referiu.
Já o presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, disse que é preciso "aguardar", mas acredita que o verão de 2026 será "muito próximo" do que aconteceu no ano passado. "Se tal se confirmar, penso que a época alta deste ano será muito positiva", salientou.
Miguel Quintas disse ainda que "a 'performance' deste mês antecipa um verão com boa procura para viagens familiares, destinos de praia, ilhas, cruzeiros, escapadinhas e destinos considerados seguros", antecipando ainda "um consumidor muito mais atento ao orçamento e uma operação mais sensível a perturbações externas", como "combustível, alterações de rotas, constrangimentos aeroportuários e instabilidade geopolítica".
O presidente da ANAV acredita que o "setor está preparado, as agências estão a trabalhar intensamente e o verão deverá confirmar a resiliência do turismo", mas é "essencial que exista estabilidade operacional nos aeroportos, clareza nos preços e uma evolução positiva do contexto internacional".
Para Pedro Costa Ferreira, "Portugal continua competitivo e os portugueses continuam a valorizar as férias", mas o setor "enfrenta desafios conhecidos, custos elevados, pressão sobre a aviação, incerteza internacional e limitações de capacidade, nomeadamente ao nível das infraestruturas aeroportuárias".
"Portanto, eu diria que junho antecipa um bom verão, mas não um verão fácil", disse. Para o dirigente, "a procura existe", sendo que o "desafio é transformá-la em vendas, em boas experiências para os clientes e em valor para as empresas", rematou.
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