Qualidade do ar na cidade foi afetada pelo incêndio na fábrica da SAPEC.
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A Câmara Municipal de Setúbal decidiu encerrar na quinta-feira as escolas do concelho devido aos elevados níveis de dióxido de enxofre que se encontram no ar.
Segundo fonte oficial da autarquia, "na sequência do comunicado da Direção-Geral de Saúde e restantes entidades competentes, a Câmara Municipal de Setúbal decidiu que no dia 16 as escolas do concelho não irão abrir."
"A autarquia decidiu promover o fecho dos estabelecimentos de todos os graus de ensino com base nas declarações do diretor-geral da Saúde, Francisco George, proferidas em conferência de imprensa realizada no dia 15 de fevereiro (quarta-feira), que apontam para a existência de riscos para a saúde humana devido ao incêndio nos armazéns de enxofre da Sapec localizados na Península da Mitrena", informa a página oficial do município na internet.
"A autoridade sanitária aconselhou cuidados especiais à população, como evitar a permanência no exterior ou fazer esforços ao ar livre, em particular a alguns grupos, como crianças, idosos e portadores de doenças do foro respiratório ou cardíaco", justifica o município setubalense.
Os encarregados de educação de milhares de alunos e crianças que frequentam os infantários do concelho foram informados pelos estabelecimentos de ensino ao final da tarde e outros estão a ser informados da decisão do município por telefone.
O agrupamento de escolas de Azeitão, em nota colocada no site e enviada aos encarregados de educação, informa que a decisão de encerrar as quatro escolas básicas do 1.º ciclo e duas escolas básicas do 1.º ciclo com jardim de infância, "resulta do acidente nos armazéns da fábrica SAPEC e da mudança de direção dos ventos poluídos com níveis elevados de dióxido de enxofre".
Em conferência de imprensa realizada esta tarde, o Diretor-Geral de Saúde, Francisco George, aconselhou os habitantes da península de Setúbal a protegerem-se devido a elevados níveis de dióxido de enxofre no ar, esclarecendo que crianças, idosos e doentes com problemas respiratórios crónicos ou cardiovasculares não devem sair de casa e fechar as janelas.
As recomendações surgem um dia depois de um incêndio num armazém de enxofre, numa fábrica em Setúbal. Mais de 24 horas depois do incêndio, continua a ser libertado dióxido de enxofre para a atmosfera, considerando Francisco George que as próximas 12 horas são as mais críticas.
A conferência de imprensa para informar dos "potenciais riscos para a saúde humana" decorrentes da nuvem tóxica na zona de Setúbal juntou além de Francisco George responsáveis da Direção Geral e da Agência Portuguesa do Ambiente, da Proteção Civil, do INEM e do Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
Os responsáveis disseram que a dificuldade em extinguir o incêndio e a mudança do vento levaram a que a nuvem não se dissipasse pelo que há "níveis elevados de dióxido de enxofre" no ar, embora até agora não tivesse sido comunicado qualquer caso de doença ou de sintomas derivados do problema.
Segundo o diretor-geral da Agência Portuguesa do Ambiente, Nuno Lacasta, a população tem de ser avisada quando no ar há mais de 500 microgramas de dióxido de enxofre por metro cúbico, sendo que, disse, esses valores foram superados e numa das estações de medição chegaram aos 900 microgramas.
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