Para o presidente da ASPP/PP, Paulo Santos, medidas como a admitida na quarta-feira pelo ministro da Administração Interna, visam "condicionar os processos negociais".
A Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP/PSP) considera que a possibilidade de serem encerradas esquadras é uma medida que tem sucesso na opinião pública, mas que por si só não ajuda a cativar jovens para a instituição.
Para o presidente da ASPP/PP, Paulo Santos, medidas como a admitida na quarta-feira pelo ministro da Administração Interna, visam "condicionar os processos negociais".
"Parece-nos que esta medida, estes anúncios servem unicamente e simplesmente para tranquilizar a opinião púbica e para condicionar os processos negociais", disse.
Na quarta-feira, Luís Neves admitiu o encerramento de esquadras da PSP em algumas zonas urbanas, como em Lisboa, garantindo que a medida visa colocar mais polícias nas ruas.
"Estamos a pensar em reorganizar estruturas de esquadras em algumas zonas urbanas, designadamente na zona de Lisboa", disse Luís Neves no programa "Grande Entrevista" da RTP notícias, referindo que o objetivo é ter "menos esquadras para se ter mais gente [polícias] na rua e junto das pessoas".
Contactado pela agência Lusa, o presidente da ASPP/PP, disse que a medida anunciada e outras como a substituição de pessoal policial por civis nos serviços de apoio operacional, já foram defendidas por vários Governos quando se aproximavam períodos de negociação com os sindicatos.
"Parece-nos que esta medida, estes anúncios servem unicamente e simplesmente para tranquilizar a opinião púbica e para condicionar os processos negociais", disse.
De acordo com Paulo Santos, a ASPP/PSP quer sentar-se à mesa com o ministro para negociar o que ainda falta negociar.
"Queremos rever as carreiras remuneratórias, dignificar suplementos, reestruturar melhor o nosso estatuto profissional, dignificar carreiras e valorizar ordenados para podermos ter aqui uma oportunidade para os jovens aumentarem os quadros e enviar os mais antigos para a aposentação", realçou.
Para Paulo Santos, o anúncio de Luís Neves é uma "forma de politicamente e comunicacionalmente se gerir uma agenda do Governo, mas não vem resolver problemas estruturais".
"Está a decorrer um concurso à PSP. Anunciou-se com pompa e circunstância que teriam concorrido 4.100 pessoas, mas a verdade é que depois do processo concursal estar concluído baixou para os dois mil e tal e neste momento temos 683 pessoas que ainda nem tão pouco entregaram toda a documentação, o que vai levar a que cerca de 500 possa se possível começar o curso previsto para junho. Ou seja, não é pela via de encerramento de esquadras que se vai resolver o problema estrutural, que é a falta de atratividade e falta de capacidade de reter os que já cá estão e os que deviam vir", disse.
Segundo Paulo Santos, a medida anunciada "não é assim tão linear como diz o ministro".
"Aumentar a atratividade, recrutar jovens para a instituição é mais importante do que propriamente estar a fazer reestruturações quase em desespero porque não há capacidade para atrair", concluiu.
Na mesma entrevista, Luís Neves admitiu que "eventualmente pode ter falhado a vigilância e o controlo" interno sobre o que se estava a passar na esquadra da PSP do Rato, em Lisboa.
A PSP e o Ministério Público já realizaram três operações no âmbito dos casos de tortura e violações na esquadra do Rato, sobretudo a pessoas vulneráveis, como toxicodependentes, sem-abrigo e imigrantes.
No total foram detidos 24 polícias -- dois chefes e 22 agentes -- e 13 estão em prisão preventiva.
Muitos desses abusos foram filmados e partilhados, em grupos na plataforma WhatsApp, com dezenas de outros agentes.
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