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Correio da Manhã

Sociedade
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Só 4 remédios novos desde 2007

O Lucentis – remédio que pode evitar a cegueira em pessoas com degenerescência macular (doença degenerativa associada à perda de visão na população mais idosa) – foi o último medicamento inovador para a compra do qual os hospitais receberam luz verde. É o quarto, desde que a aquisição destes remédios passou a estar dependente de uma avaliação prévia da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed).

11 de Junho de 2008 às 15:00
Doentes com cancro e VIH/sida são os principais destinatários dos tratamentos de primeira linha
Doentes com cancro e VIH/sida são os principais destinatários dos tratamentos de primeira linha FOTO: Natália Ferraz

O decreto-lei é de Outubro de 2006. Mas, no primeiro ano em que esta medida foi posta em prática, apenas um medicamento tinha sido aprovado. Em 2008, são já três, de um total de cerca de 15 pedidos que deram entrada.

Os inovadores são os remédios mais recentes, produto da investigação farmacêutica. Oferecem uma mais--valia em relação aos outros tratamentos existentes, mas são mais caros. Antes eram comprados directamente pelos hospitais. Agora, precisam de uma avaliação feita pelo Infarmed sobre o custo e as eventuais vantagens para os doentes. Foi a forma encontrada pela tutela para contrariar a compra de remédios que, apesar de mais caros, não eram verdadeiramente inovadores e faziam disparar as contas do Serviço Nacional de Saúde.

Porém, o novo modelo de avaliação tem sido criticado pela indústria farmacêutica, por fazer atrasar a entrada da inovação terapêutica nos hospitais, que chega assim mais tarde aos doentes que precisam dela. Recentemente, a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) referia que, na melhor das hipóteses, os inovadores demoram um ano a ser adquiridos, o que se traduz num atraso de nove meses em relação ao que era praticado.

E quem avalia estes medicamentos? A resposta foi dada pelo Infarmed esta semana, divulgando na sua página da internet o nome dos membros do grupo de peritos e respectivos currículos.

CANCRO E SIDA RESPONSÁVEIS PELA MAIOR DESPESA

A maioria dos medicamentos inovadores que entram nos hospitais destina-se a tratar doenças oncológicas e VIH/sida. Dos quatro remédios aprovados, um é para tratar leucemias em adultos (dasatinib, princípio activo), outros para a hipertensão pulmonar (sitaxentano) e para a sida (darunavir). O mais recente (ranizumab), aprovado no dia 26 de Maio, destina-se aos idosos com degenerescência macular. São tratamentos de última linha para os doentes que não respondem às terapias existentes. Só os dois remédios para o cancro e hipertensão pulmonar terão um custo de mais de 12 milhões de euros para dois anos. E o medicamento para a sida custará 1, 6 milhões para apenas um ano de tratamento aos 200 doentes abrangidos, referem as avaliações feitas pelo Infarmed.

COMPARTICIPAÇÃO DEMORA SETE MESES A DECIDIR

Desde o início do ano, o Estado atribuiu comparticipação (ajuda aos doentes na compra de remédios) a 389 medicamentos vendidos nas farmácias. A grande maioria é genérica (363). Os pedidos de comparticipação até Abril ascenderam a 550. Em média, a autoridade do medicamento está a demorar sete meses para tomar uma decisão (217 dias), referem os números oficiais daquele organismo. E apenas 10% dos processos são concluídos em três meses. O Infarmed admite que os dados dizem respeito "a uma fase em que a capacidade avaliativa ficou diminuída por perda de recursos".

SAIBA MAIS

REMÉDIOS POR DECIDIR

A tutela anunciou a passagem de alguns remédios de dispensa hospitalar para as farmácias. Mas a medida continua em análise.

715

milhões era a dívida dos hospitais aos laboratórios em Março deste ano. Destes, 456 estão por pagar há mais de 90 dias.

VENDA POR UNIDOSE

Prevista para Julho nas farmácias a serem criadas nos hospitais, prometeu a ministra.

 

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