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Correio da Manhã

Sociedade
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“Só escapou a cozinha”

A família de Rui Gregório foi uma das três que teve de ser realojada, na sequência do tornado que varreu os concelhos algarvios de Lagoa e Silves.
18 de Novembro de 2012 às 01:00
Desalojado. Tornado desalojou a família de Rui Gregório, que vive agora numa casa da Câmara de Lagoa
Desalojado. Tornado desalojou a família de Rui Gregório, que vive agora numa casa da Câmara de Lagoa FOTO: Miguel Veterano

No apartamento desta família, um terceiro andar onde vivem dois adultos e três crianças (de dois, dez e 15 anos), até as portas interiores foram arrancadas pela força do vento, que reduziu a cacos quase todo o recheio da casa.

"Só escapou a cozinha. A minha mulher, que era a única pessoa que estava em casa quando houve o tornado, ficou ferida numa perna ao ser atingida por uma porta, e teve mesmo de receber assistência hospitalar. Mas está bem", relata Rui Gregório, que vive agora com a família numa casa cedida pela Câmara de Lagoa.

Esta vítima do tornado completou ontem 37 anos, mas não teve tempo para comemorações: passou o diz a limpar o apartamento. "O pessoal da câmara foi impecável e colocou logo protecções nas janelas que foram arrancadas pelo vento", conta Rui Gregório, que está habituado a socorrer pessoas em aflições - é bombeiro -, mas desta vez foi a sua família que precisou de ajuda.

Na mesma rua da Urbanização Lagoa Sol, são muitos os apartamentos danificados. Maria Albina, desempregada e com um filho de 11 anos, não quis sair de casa, apesar de esta ter ficado praticamente toda destruída - passou a noite sentada numa cadeira. "Ainda não tive a ajuda de nenhuma entidade", diz a moradora, que esperava ainda, ao início da tarde de ontem, o perito dos seguros - outros vizinhos já tinham os estragos avaliados pelas seguradoras, que prometem rapidez de resposta.

Os prejuízos causados pelo tornado em Silves e Lagoa ainda estão a ser inventariados, mas poderão atingir, no total, cerca de oito milhões de euros.

PASSOS NÃO DESCARTA ESTADO DE CALAMIDADE

O primeiro-ministro, Passos Coelho, não descarta a declaração de estado de emergência e calamidade para a zona do Algarve afectada por um tornado na sexta-feira: "Não deixaremos de ponderar, em face dessas circunstâncias, a resposta adequada em termos de compensação pelos prejuízos", disse ontem em Cádis, Espanha. O governante admitiu, por exemplo, o recurso à ajuda comunitária. Mas nada está quantificado, e só na próxima semana a avaliação estará completa.

Classificando o tornado como "um tufão", Passos lamentou não ter sido possível ao ministro da tutela, Miguel Macedo, "uma declaração mais esclarecedora quanto à intervenção do Governo". O seu gabinete nega qualquer crítica a Macedo.

TEMPORAL TORNADO ALGARVE ESTADO DE CALAMIDADE
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