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Correio da Manhã

Sociedade
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Socorro recusado a mulher com cancro

Miguel Andrade, 54 anos, acusa o INEM de não ter prestado socorro à sua mulher, no dia 30 de Setembro, tendo esta acabado por se deslocar pelo seu pé para o hospital, onde lhe foram detectados dois tumores na cabeça. A mulher, de 48 anos, começou a sentir-se mal e a perder o controlo de parte do corpo quando estava na casa dos sogros, na Av. da República, em Lisboa, acompanhada pelo filho, de 18 anos.
17 de Outubro de 2011 às 01:00
Mulher foi a pé até ao Hospital Curry Cabral, em Lisboa, e depois foi transferida para São José
Mulher foi a pé até ao Hospital Curry Cabral, em Lisboa, e depois foi transferida para São José FOTO: direitos reservados

Miguel Andrade, que estava em Ponta Delgada, Açores, onde a família reside, conta que eram 09h56 quando foi feita a chamada para o 112 a pedir uma ambulância. "O meu filho ligou para o 112 e o INEM disse-lhe que não mandava uma ambulância e que tinha de ligar para os bombeiros. Ele ligou para os Bombeiros Voluntários deCampo de Ourique, de onde disseram que tinha de pagar 30 euros. No entanto, nem a minha mulher nem o meu filho tinham dinheiro", conta Miguel Andrade.

A mulher não teve outra alternativa se não deslocar-se a pé, cerca de 800 metros, até ao Hospital Curry Cabral: "Quando chegou, foi logo transferida para São José, onde lhe detectaram dois tumores no cérebro." Miguel Andrade sente "uma grande revolta", até porque já foi bombeiro. "A família ficou muito abalada. A prioridade agora é a saúde da minha mulher, mas quero denunciar a situação porque pode acontecer a outros".

INEM CONSIDERA QUE ACTUOU COMO DEVIA

O INEM afirma que neste caso "não havia critérios clínicos para activação de uma ambulância de emergência". "As ambulâncias de emergência são para situações de risco de vida iminente, quando há necessidade de actuação ainda no local ou durante o transporte. A informação sobre a situação clínica da senhora é posterior, naquele momento estava consciente e não estava em risco de vida", explicou ao CM fonte oficial do INEM. O comandante dos Bombeiros de Campo de Ourique, Paulo Alfar, afirma que "se o INEM não considerou urgente, é normal que os bombeiros cobrem 30 euros pelo transporte".

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