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Correio da Manhã

Sociedade
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Subsídios beneficiam projetos destruidores de habitats protegidos

Associação ambientalista Zero diz que a nova Política Agrícola Comum pode estar a promover destruição de habitats protegidos.
Ana Maria Ribeiro 2 de Agosto de 2021 às 08:44
Sistemas agrícolas importantes podem estar em risco em Portugal, garante a associação ambientalista Zero
Sistemas agrícolas importantes podem estar em risco em Portugal, garante a associação ambientalista Zero FOTO: istockphoto
A associação ambientalista Zero critica o apoio comunitário concedido a projetos agrícolas “que destruíram habitats protegidos” na área do Alqueva e avisa que, se não forem tomadas medidas, a nova Política Agrícola Comum (PAC) pode seguir “o mesmo caminho”. A organização fez um levantamento do estado geral de habitats, áreas protegidas e sistemas agroflorestais de alto valor natural no concelho de Beja – um dos 20 abrangidos pelo Empreendimento de Fins Múltiplos do Alqueva (EFMA) – e concluiu que “tanto a água proveniente do megainvestimento público como os fundos da PAC estão a ser alocados a projetos de industrialização do espaço rural”, que têm levado “à destruição de habitats protegidos”. Segundo o estudo da Zero, as intervenções já provocaram “a destruição de 18 charcos temporários mediterrânicos” e “o desaparecimento de mais de mil hectares” de montado. A Zero garante que “são cerca de 120 as parcelas”, num total de 3900 hectares, que receberam apoios do Programa de Desenvolvimento Rural 2020 e que “causaram danos em habitats e sistemas agrícolas importantes do ponto de vista ambiental”. Contas feitas, “poderão ter sido alocados mais de 460 mil euros de subsídios públicos” a “projetos que, na realidade, serviram propósitos contrários às obrigações” assumidas por Portugal, diz Zero.

pormenores
Apenas amostra  
A Zero diz que o levantamento feito em Beja “é pequena amostra” do que se poderá passar “noutros concelhos na área de influência de Alqueva”.

20 mil hectares
Podem estar em causa 20 mil hectares de habitats protegidos e sistemas agrícolas de valor ambiental e 9,6 milhões de euros de apoios associados.

Pede passo atrás
Associação pede vigilância nas áreas em causa e defende que se recorra a sanções que visem a reposição das situações anteriores às infrações.
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