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Correio da Manhã

Sociedade
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Sucessor de Bento XVI precisa ser mais "pastor"

O principal teórico da Teologia da Libertação no Brasil, Leonardo Boff, defende que o sucessor de Bento XVI deve ser mais "pastor" que "professor" e menos ligado à instituição e ao poder.
2 de Março de 2013 às 14:14

"O perfil do próximo papa não deveria ser o de um homem do poder e da instituição. Onde há poder inexiste amor e desaparece a misericórdia. Deveria ser um pastor, próximo dos fiéis e de todos os seres humanos", opina Boff, em texto publicado no seu blog.

Para o defensor da Teologia da Libertação, Bento XVI foi um "eminente teólogo, mas um papa frustrado", sem "carisma" na direção e animação da comunidade católica, ao contrário do seu antecessor, João Paulo II.

Sem tomar partido quanto à nacionalidade do novo papa, o teólogo defende apenas que o eleito não deve ser "um homem do Ocidente", mas sim um homem "do mundo globalizado", que se identifique com todos e sinta a "paixão dos sofredores".

Deve ser "um homem de profunda bondade, no estilo de João XXIII, com ternura para com os humildes e com firmeza profética para denunciar quem promove a exploração e faz da violência e da guerra instrumentos de dominação dos outros e do mundo", completa.

O veredito de Bento XVI obrigou o teólogo brasileiro a um período de "silêncio obsequioso", tendo sido obrigado a deixar a cátedra e proibido de publicar seus textos ou divulgar suas ideias.

"Infelizmente ele será estigmatizado, de forma reducionista, como o papa onde grassaram os pedófilos, onde os homoafetivos não tiveram reconhecimento" e "como aquele que censurou pesadamente a Teologia da Libertação, interpretada à luz de seus delatores e não à luz das práticas pastorais e libertadoras de bispos e padres", salientou Boff.

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