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Correio da Manhã

Sociedade
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Suicídio durante visita de ministro

Chegou "bem-disposta" para mais um dia de trabalho no hospital de Évora. Mas o rosto de felicidade da auxiliar escondia a depressão motivada pelo divórcio. O marido é também auxiliar na unidade. Para terminar com o sofrimento, decidiu pôr termo à vida, enforcando-se na manhã de ontem numa janela do quinto andar, quando o ministro da Saúde, Paulo Macedo, visitava a unidade.
6 de Agosto de 2011 às 00:30
Bombeiros de Évora ainda socorreram a auxiliar. Ministro Paulo Macedo manteve visita ao local
Bombeiros de Évora ainda socorreram a auxiliar. Ministro Paulo Macedo manteve visita ao local FOTO: Mário Cruz/Lusa

O governante, que se encontrava próximo do local da ocorrência, nas traseiras do Hospital do Patrocínio, "lamentou profundamente o incidente e ponderou a suspensão da visita", disse ao CM o assessor do Ministério da Saúde. Mas acabou por cumprir todo o programa, o que motivou críticas da Oposição. A deputada socialista Luísa Salgueiro afirmou ao CM que "só uma situação urgente que requeresse a tomada de decisões estruturais é que justificaria a continuação da visita, caso contrário, deveria ter suspendido".

O caso ocorreu às 09h00, uma hora depois de Florência Almeida, 41 anos, ter iniciado o trabalho como auxiliar no serviço de Medicina Interna. "Quando os colegas se aperceberam, já estava pendurada na janela com um cordão à volta do pescoço", disse fonte hospitalar.

O pânico gerou-se rapidamente na unidade. Como estava presa na estreita janela de acesso a uma casa de banho, vários seguranças e colegas agarraram--na pelos braços. "Pode ter ficado presa ou arrependeu-se do acto. O cordão, atado a uma torneira de segurança, não era suficientemente forte para a manter pendurada", disse João Caraça, adjunto do comando dos bombeiros de Évora, corporação que socorreu a mulher com uma viatura auto-escada. O óbito foi declarado minutos depois nas Urgências do hospital. O funeral realiza-se hoje na terra onde residia, em São Marcos do Campo, Reguengos de Monsaraz. Deixa órfãos três filhos.

"LISTAS DE ESPERA DEVEM TER PRAZO MAIS REALISTA"

O ministro da Saúde, Paulo Macedo, referiu ontem que Portugal está a dar "passos positivos" na diminuição da listas de espera, mas realçou que estas "não vão desaparecer". "Têm é de ter um prazo mais realista", frisou o governante na visita ao Hospital de Évora. Sobre a nova unidade prevista para a cidade, o ministro diz que o Governo vai "reavaliar" o projecto tendo em conta a "realidade do País". A construção do hospital devia estar concluída em 2014, num investimento de 94 milhões.

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